BI350 - O Instalador

www.oinstalador.com 350 SETEMBRO 2026 Preço €11 | Periodicidade - Mensal (10 edições/ano) A REVISTA DO SETOR DAS INSTALAÇÕES EM PORTUGAL ai178370026962_AF_capa gama comercial haice - o instalador.pdf 1 10/07/2026 17:17:55

Controlo através de ecrã tátil intuitivo Design elegante com acabamento em Vidro premium Função de poupança de energia fácil de configurar Poupança de energia avançada utilizando sensores opcionais Lançamento Verão 2026 WWW.DAIKIN.PT

Saiba mais em www.daikin.pt Controlo remoto por cabo intuitivo para Sky Air, VRV e Ventilação › Aspeto renovado da aplicação Madoka Assistant › Ligação Bluetooth com smartphone › Definições de instalador utilizando a aplicação Configuração fácil › Tamanho compacto › Ecrã tátil LCD de 3,2" › Botões táteis › Modo de funcionamento visível no sensor Daikin › Interface de utilizador intuitiva › Função de poupança de energia intuitiva Design elegante para combinar com o ambiente

Uma solução, várias configurações. Condutas Tipo Split Instalação flexível horizontal ou vertical Controlo inteligente, mesmo à distância Climatização de uma divisão ou de toda a casa Aplicação em sistemas mono, multisplit e multiCirQHP

6 Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone +351 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Joana Peres Equipa Editorial Joana Peres, Paqui Sáez Marketing e Publicidade Olinda Gama redacao_oinstalador@interempresas.net www.oinstalador.com Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 110 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 119963 Depósito Legal 10480/96 Distribuição total +8.300 envios. Distribuição digital a +7.200 profissionais. Tiragem +1.100 cópias em papel Edição Número 350 – Setembro de 2026 Estatuto Editorial disponível em https://www.oinstalador.com/ EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Media Partners: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação de O Instalador adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. Smart home and building solutions. Global. Secure. Connected. A EFICIÊNCIA TEM CLASSE SUMÁRIO ATUALIDADE 8 EDITORIAL 8 Samsung Climate Solutions 12 Entrevista com José Carlos Denis e João Ramos, administradores da Disterm. 14 Trane: Por que razão o AVAC tradicional já não é suficiente 20 Desempenho real: o próximo desafio para a eficiência dos sistemas AVAC 26 AVAC 2026-2027: cinco tendências que estão a mudar o mercado 30 Conduta Tipo Split da SGT Midea: flexibilidade de instalação sem comprometer o desempenho 38 Aerotermia para climatização e água quente sanitária: guia prático para o instalador 40 ZETA ZERO HP: A tecnologia que climatiza as novas instalações da Arfit 46 Daikin lança Madoka Plus: o controlador de próxima geração para espaços comerciais 48 LG lança nova unidade de conduta compacta para climatização residencial e comercial 50 Samsung destaca a integração com wearables Galaxy para a gestão do sono mais confortável 52 2027 aproxima-se: a corrida ao refrigerante natural já começou. A resposta da Thermor passa pelo R290 54 Solius Ecotank Nova Split: uma solução compacta e eficiente para a produção de água quente sanitária 56 Filtros eletrostáticos reforçam a eficiência dos sistemas de extração industrial 90 Centros de dados: quando a continuidade energética também depende da instalação 92 Geberit: Atualizar tecnologicamente a sanita sem necessidade de trabalhos de renovação 96 Verão sem incidências: escolher bem a torneira também faz parte de uma boa instalação 98 Fórum Sanitop reúne três mil profissionais no dia 25 de setembro 100 Formação técnica especializada: agenda IEP 102 IFV reforça agenda de formação técnica para profissionais de climatização e energia 104 Universidade Politécnica de Coimbra conclui 15 projetos de eficiência energética 106 Novos tijolos térmicos Preceram: menos fiadas, mais rentabilidade 108 Eletrificar com inteligência: o futuro das casas 110 14.ª Conferência Passivhaus Portugal debate crescimento da Passive House em projetos de maior escala 112 IEP celebra 45 anos com congresso dedicado aos grandes desafios estratégicos de Portugal 114 Ventilação: o elo que falta entre a qualidade do ar e a eficiência dos edifícios 116 Eficiência energética com o Portal casA+: da informação à ação 118 Não desperdicemos novamente uma boa crise 122 59 THE VERY BEST: os melhores produtos, equipamentos e soluções

TECNOLOGIA VRF RPRO® CAIROX UMA NOVA GAMA QUE REDEFINE A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Saiba mais sobre nós Há uma novidade na marca Cairox que não pode perder: a nova gama VRF R-PRO®. Esta solução integra a tecnologia Inverter com elevados níveis de eficiência energética e máxima flexibilidade de instalação, para responder às exigência dos seus projetos de climatização. Com sistemas modulares e opção de recuperação de energia a 3 tubos, permite aquecimento, arrefecimento e produção de AQS em simultâneo, garantindo conforto, desempenho e otimização do consumo energético. Gama exclusiva

8 AIPOR organiza conferência sobre 'Instalações Técnicas Especiais' na ENERH2O 'Instalações Técnicas Especiais: a importância da certificação no contexto dos desafios técnicos e climáticos' é o nome da conferência organizada pela AIPOR - Associação dos Instaladores de Portugal na ENERH2O. Terá lugar a 23 de setembro, entre as 12h00 e as 13h00 horas, na Sala Solar Shop, no recinto da Feira (Exponor). Tiago Oliveira, da AIPOR, é o orador do evento que irá abordar, dentro das 'Instalações Técnicas Especiais', o OCP - Organismo de Certificação de Pessoas da AIPOR. A abrir a conferência terá lugar uma breve introdução sobre o tema. Programa: • Breve introdução inicial da conferência; • OCP AIPOR - explicação breve e abordagem do Organismo e das suas valências; • Certificações que a AIPOR/OCP presta (do A1 ao E); • Certificação versus exigências regulamentares [Regulamento de Execução (UE) 2024/2215] no contexto da transição ambiental e climática. AIPOR é parceira institucional da ENERH2O Recorde-se que a AIPOR é parceira institucional da 4.ª edição da ENERH2O - Energy and Water Innovation & Technology, que terá lugar nos dias 23 e 24 de setembro de 2026, na Exponor, reunindo empresas, profissionais, especialistas e organizações ligadas aos setores da energia, água e climatização sustentável. Num contexto marcado pela transição energética, pela necessidade de aumentar a eficiência dos recursos, pela descarbonização e pela crescente incorporação de tecnologia nas instalações, a ENERH2O assume-se como um espaço privilegiado de conhecimento, inovação, networking e geração de oportunidades de negócio. EDITORIAL Há edições em que uma revista se limita a acompanhar a atualidade e há outras em que, além de informar, procura ajudar a perceber para onde caminha um setor. Esta edição de O Instalador pretende fazer precisamente isso. O mercado das instalações atravessa uma fase de transformação exigente. A eficiência energética deixou de ser apenas uma característica valorizada nos equipamentos e passou a ser uma condição transversal aos projetos. A eletrificação, a digitalização, a inteligência artificial, a integração de sistemas, a qualidade do ar interior e a descarbonização estão a alterar tecnologias, modelos de negócio e, sobretudo, o trabalho dos profissionais. Nesta edição, olhamos para algumas destas mudanças: das tendências que estão a marcar o AVAC em 2026 e 2027 às soluções para aquecimento, climatização e produção de água quente, passando pela evolução dos edifícios e pela mobilidade elétrica. Em todos estes temas, há um denominador comum: já não basta instalar equipamentos eficientes; é necessário pensar sistemas, integração e desempenho ao longo de todo o seu ciclo de vida. É neste contexto que ganha particular importância o dossier ‘The Very Best 2026’, que chega à sua sexta edição. O guia reúne empresas, marcas, equipamentos, tecnologias e serviços das áreas do AVAC, renováveis, eletricidade, instalações hidráulicas e sanitárias e edifícios, facilitando a consulta e aproximando quem desenvolve soluções de quem as especifica, instala e mantém. Ao longo de seis anos, o The Very Best acompanhou a evolução do setor. Algumas tecnologias ganharam escala, outras deixaram de ser novidade e novas exigências passaram a integrar o quotidiano dos instaladores e projetistas. A crescente presença de soluções digitais e conectadas mostra também como equipamentos, energia e gestão estão cada vez mais interligados. Esta edição é ainda um reconhecimento às empresas que têm estado connosco ao longo destes seis anos e às que se foram juntando entretanto. A sua participação dá expressão à diversidade de um mercado que continua a responder a novos desafios técnicos e operacionais. Mais do que responder apenas à pergunta “o que há de novo?”, queremos ajudar a responder a outra: “o que vale a pena conhecer para tomar melhores decisões?” Num setor em que a inovação acontece a grande velocidade, informação e conhecimento são ferramentas de trabalho. É essa função que queremos continuar a cumprir: selecionar, contextualizar e dar visibilidade às mudanças que estão a chegar ao mercado, sem perder de vista quem está no terreno e transforma projetos em instalações reais. Que esta publicação seja, por isso, uma ferramenta de trabalho, de descoberta e de decisão. Um mercado em constante movimento

Bomba de calor sanitária Solius Ecotank Nova Split A nova Solius Ecotank Nova Split transforma a água quente sanitária numa experiência mais eficiente, económica e inteligente. O seu sistema Split reduz o ruído no interior da habitação, funciona mesmo com temperaturas exteriores até -15 ºC e permite um controlo remoto simples através da app. Além disso, incorpora um acumulador reforçado Blue E+ Diamond P e a função anti-legionella para proporcionar o máximo conforto, segurança e durabilidade. Há decisões cujos benefícios se sentem desde o primeiro dia, tal como há amores que duram para sempre. Mais conforto. Mais eficiência. Mais motivos para se apaixonar. Funcionamento até temperaturas exteriores de -15°C Acumulador em aço vitrificado reforçado BLUE E+ DIAMOND P LIGAÇÃO WI-FI para controlo remoto com app Função ANTILEGIONELLA Deixe-se conquistar pelo conforto.

10 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.OINSTALADOR.COM • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER 7.ª Conferência ESEIA debate soluções energéticas atuais e futuras em Lisboa O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) organiza, de 23 a 25 de novembro de 2026, no Campus do LNEG, no Lumiar, em Lisboa, a 7.ª Conferência ESEIA – “Green Energy Solutions: Current and Future Trends”. O encontro reunirá investigadores, especialistas, empresas, decisores e representantes institucionais de vários países para debater soluções de energia limpa e os desafios da transição energética. Ao longo de três dias, o programa inclui apresentações orais, sessões de posters, visitas técnicas, demonstrações de projetos em curso ou recentemente concluídos e apresentações de start-ups e spin-offs do setor da energia. A conferência abordará tecnologias como bioenergia, eólica, solar, geotérmica e nuclear, bem como a sua integração e implementação em larga escala. A iniciativa acompanha a evolução das políticas europeias para reforçar a competitividade das tecnologias limpas e net-zero, incluindo o Clean Industrial Deal, o Net-Zero Industry Act e o Strategic Energy Technology (SET) Plan. Num momento em que a transição energética assume um papel central nas agendas globais, a sua participação será particularmente relevante para enriquecer a discussão sobre as soluções energéticas que estão a moldar o presente e o futuro. A comunidade científica, académica, empresarial e profissional é convidada a participar neste evento e a contribuir para o debate sobre as tendências atuais e futuras das soluções energéticas verdes. Iberdrola | bp pulse e Electromaps impulsionam a mobilidade elétrica em Portugal facilitando o acesso à rede de carregamento ultrarrápido A Iberdrola | bp pulse e a Electromaps anunciaram uma parceria destinada a potenciar a mobilidade elétrica em Portugal. Através desta parceria, a Iberdrola | bp pulse torna-se o primeiro operador de mobilidade elétrica a ter a sua rede de carregamento integrada na Electromaps em Portugal. O foco desta parceria é a interoperabilidade garantida, possibilitando aos utilizadores da Electromaps utilizar a rede Iberdrola | bp pulse também em Portugal. Tal está alinhado com o compromisso de ambas as empresas de tornar a experiência do utilizador cada vez mais simples e transparente. A rede da Iberdrola | bp pulse inclui já mais de 500 pontos de carregamento rápidos e ultrarrápidos em Portugal, em mais de 2.500 em toda a Península Ibérica, situados em localizações estratégicas, com potências até 600 kW. Esta parceria assume um papel crucial na mobilidade transfronteiriça na Península Ibérica, facilitando o deslocamento de turistas, frotas profissionais e condutores particulares entre Portugal e Espanha, uma vez que um condutor que viaje entre os dois países pode agora utilizar a aplicação Electromaps, ou o seu cartão Electropass, para gerir facilmente toda a sua viagem e necessidades de carregamento durante o percurso.

O futuro das instalações térmicas já chegou! Ferramentas digitais para gases fluorados e R290. Novo detetor de fugas testo 515-EX e bomba de vácuo ATEX testo 565i Ex. www.testo.com Preparados para os desafios do futuro. Novidade

12 PÁGINA DA NET Samsung Climate Solutions A Samsung Climate Solutions desenvolve soluções de climatização para aplicações residenciais, comerciais e profissionais na Samsung Electronics. Esta divisão integra sistemas de ar condicionado, bombas de calor e soluções de conectividade, concebidos para responder a diferentes necessidades do setor AVAC. Na Samsung Climate Solutions, o propósito é assegurar o conforto das pessoas em diferentes momentos do dia a dia, seja em casa, no trabalho, em lazer ou em descanso. “Sinta o seu bem-estar” é o slogan que traduz a promessa da marca para uma inovação mais humanizada. Neste website pode conhecer a nova gama WindFree™ Première+, com funcionalidades de inteligência artificial. O AI Motion Wind suporta sete programas de personalização de difusão do ar, incluindo o Fluxo direto por IA2 e Fluxo indireto por IA2. Pode consultar informação sobre a tecnologia WindFree™, explorar as funcionalidades de conectividade através do SmartThings e aceder a conteúdos e documentação disponibilizados pela marca. É possível também aceder a informação sobre a solução de edifícios inteligentes SmartThings Pro. Apresentado no mercado europeu em 2025, o ecossistema SmartThings estende-se ao segmento empresarial, para monitorização e controlo de diferentes dispositivos, na gestão de edifícios ou gestão de múltiplos edifícios, em vários locais1 e em tempo real. Neste website é possível explorar as diferentes categorias de produtos, conhecer as principais características técnicas e descobrir como a tecnologia, a conectividade e o design se conjugam para responder às diferentes necessidades dos utilizadores, durante todo o ano. n Mais informações em https://samsung-climatesolutions.com/pt 1 Disponível com códigos de modelo de licença avançada do SmartThings Pro: AST-BA1C 3. 2 Os modos Fluxo Direto por IA e Fluxo Indireto por IA funcionam no modo Conforto automático por IA. Funcionam com base nas recomendações de temperatura do servidor de IA, e o fluxo de ar ajusta-se de acordo com as suas preferências utilizando dados do sensor de radar (detetando até duas pessoas, com um ângulo de deteção de 120° e um alcance de até 6 metros). É necessária uma ligação Wi-Fi e uma conta da aplicação Samsung SmartThings.

CABINET BOOSTER Soluções de Bombagem Compactas EBARA Grupos Hidropressores monofásicos compactos com duas bombas silenciosas e 2 variadores de frequência geridos por um controlo único no quadro para pequenas e médias necessidades. O CABINET BOOSTER apresenta-se como um sistema mais centralizado e compacto que os grupos hidropressores usuais. É adequado para montagem na parede, encastrado ou assente no solo. Indicado para o abastecimento de água doméstica, bombagem de água ou o aumento de pressão em geral, rega e pequenos sistemas de abastecimento de água industrial e, especialmente concebido para aplicação nos edifícios de habitação ou escritórios. www.ebara.pt

ENTREVISTA 14 “Queremos continuar a ser um parceiro de referência para os instaladores” A Disterm celebra 25 anos de atividade marcados pela evolução do mercado AVAC, pelo investimento na formação e pelo reforço do apoio técnico aos instaladores. Em entrevista, os administradores José Carlos Denis e João Ramos analisam as principais transformações do mercado AVAC, a evolução das marcas Nipon e Thinktech e os desafios colocados pela eficiência energética, eletrificação e descarbonização aos profissionais do setor. Joana Peres JOSÉ CARLOS DENIS E JOÃO RAMOS ADMINISTRADORES DA DISTERM

ENTREVISTA 15 A Disterm assinala este ano 25 anos de atividade. Como nasceu este projeto, quais foram os principais marcos da sua evolução até à posição que ocupa atualmente no mercado e onde pretende chegar nos próximos anos? A Disterm nasceu em 2001 com o objetivo de disponibilizar ao mercado português soluções de climatização inovadoras, fiáveis e apoiadas por um forte suporte técnico. Desde a sua fundação, a empresa procurou diferenciar- -se não apenas pela distribuição de equipamentos, mas também pela proximidade aos profissionais do setor, apostando na formação, no acompanhamento técnico e na criação de relações de confiança duradouras com clientes e parceiros. Ao longo destes 25 anos, destacamos diversos marcos que contribuíram para o crescimento da empresa. Em 2002 inaugurámos o nosso primeiro Centro de Formação, refletindo desde cedo a preocupação com a qualificação dos instaladores. Em 2004 assumimos a representação da LG, um passo importante para a afirmação da Disterm no mercado nacional da climatização. O crescimento sustentado levou à mudança para novas instalações em 2006 e, em 2007, fomos reconhecidos como o maior distribuidor de ar condicionado LG em Portugal. A aposta contínua na inovação levou ao lançamento da THK Thinktech, dedicada às energias renováveis, e posteriormente da Nipon Techforcomfort, marca de ar condicionado que se tornou uma referência no nosso portefólio. Paralelamente, investimos na certificação da qualidade, na modernização das infraestruturas, na realização de convenções técnicas nacionais e na digitalização dos nossos processos logísticos e operacionais. A trajetória da Disterm tem sido marcada por um crescimento sustentável, reconhecido ao longo dos anos por sucessivas distinções PME Líder, e por uma capacidade permanente de adaptação às transformações do setor AVAC e da energia. Olhando para o futuro, pretendemos continuar a consolidar a nossa posição como um dos principais distribuidores portugueses de soluções de climatização e energias renováveis. A nossa estratégia passa por reforçar o investimento na formação, acelerar a transformação digital, expandir a oferta de soluções energeticamente eficientes e reforçar ainda mais o apoio técnico e pós-venda aos profissionais. Queremos continuar a ser um parceiro de referência para os instaladores, contribuindo ativamente para a transição energética e para a descarbonização dos edifícios em Portugal.

ENTREVISTA 16 Ao longo deste percurso, o mercado AVAC sofreu uma profunda transformação, tanto ao nível tecnológico como regulamentar. Como se adaptou a Disterm a esta evolução e quais foram os momentos mais desafiantes destes 25 anos? Ao longo dos últimos 25 anos, o setor AVAC evoluiu de forma muito significativa. Assistimos à transição de sistemas convencionais para soluções altamente eficientes, inteligentes e integradas, impulsionadas pelas crescentes exigências de eficiência energética, sustentabilidade ambiental e digitalização dos edifícios. A Disterm procurou sempre antecipar estas mudanças, investindo continuamente na atualização do seu portefólio, na formação técnica das equipas e instaladores e no reforço do suporte técnico especializado. A criação da Thinktech para o segmento das energias renováveis e o desenvolvimento da marca Nipon são exemplos claros da nossa capacidade de adaptação às novas necessidades do mercado. Entre os momentos mais desafiantes destacamos as sucessivas alterações regulamentares, a crise financeira, a pandemia e, mais recentemente, as perturbações nas cadeias globais de abastecimento. No entanto, estes desafios também reforçaram a nossa capacidade de adaptação, proximidade aos clientes e resiliência organizacional. O instalador continua a ser um parceiro fundamental da empresa. Que tipo de apoio disponibiliza atualmente, tanto ao nível técnico como comercial, para ajudar os profissionais a responder às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e especializado? O instalador sempre esteve no centro da estratégia da Disterm. O nosso crescimento está diretamente ligado ao sucesso dos profissionais que trabalham diariamente com as nossas soluções. Disponibilizamos apoio técnico pré e pós-venda, assistência ao dimensionamento de soluções, acompanhamento em obra, apoio na colocação em serviço dos equipamentos e suporte especializado para resolução de situações técnicas mais complexas. Paralelamente, procuramos fornecer ferramentas comerciais, materiais de marketing, ações promocionais e condições competitivas que permitam aos nossos parceiros aumentar a sua competitividade. O nosso objetivo é que o instalador encontre na Disterm não apenas um fornecedor, mas um parceiro técnico e comercial de longo prazo. A formação tem assumido um papel cada vez mais relevante no setor. Que importância atribui a empresa à qualificação dos instaladores e quais são as principais iniciativas de formação e atualização técnica que promove? A formação faz parte do ADN da Disterm desde a sua fundação. Prova disso foi a criação do nosso primeiro Centro de Formação logo em 2002, numa altura em que a formação técnica especializada ainda não tinha a expressão que possui atualmente. Acreditamos que a evolução tecnológica só se traduz em valor quando os profissionais possuem as competências necessárias para instalar, colocar em funcionamento e manter corretamente os equipamentos. Promovemos regularmente formação técnica presencial, vídeos de apoio, apresentações de produto, certificações e sessões de atualização sobre novas tecnologias e alterações regulamentares. Com estas iniciativas, a Disterm procura dotar os seus clientes de conhecimentos técnicos atuais e de vanguarda, permitindo-lhes acompanhar a evolução dos produtos e servir melhor os seus próprios clientes. A Nipon tem vindo a reforçar a sua presença no portefólio da Disterm. Que papel desempenha atualmente esta marca na estratégia da empresa e de que forma tem respondido às necessidades dos instaladores, tanto ao nível da eficiência energética como da inovação tecnológica? A Nipon representa atualmente um dos pilares estratégicos da Disterm. Desde o seu lançamento, em 2012, a marca tem registado um crescimento sustentado, acompanhando a evolução tecnológica do setor e as exigências dos profissionais e consumidores. A aposta tem sido orientada para equipamentos energeticamente eficientes, tecnologicamente avançados e com uma excelente relação qualidade-preço. A oferta

17 “O nosso objetivo é que o instalador encontre na Disterm não apenas um fornecedor, mas um parceiro técnico e comercial de longo prazo" inclui sistemas de climatização doméstica e comercial, bem como bombas de calor e outras soluções alinhadas com as metas de eficiência energética e descarbonização. Para os instaladores, a Nipon representa uma solução competitiva, apoiada por um forte suporte técnico, disponibilidade de produto e um serviço pós-venda próximo e eficaz. Também a Thinktech integra o portefólio da Disterm com uma oferta dedicada às energias renováveis. Que importância assume atualmente esta marca na estratégia da empresa e de que forma se diferencia no mercado? A Thinktech nasceu da visão de que o futuro da energia passaria inevitavelmente por soluções renováveis e sustentáveis. Desde o seu lançamento, a marca tem acompanhado a crescente procura de soluções de solar térmico e fotovoltaico. Atualmente, a Thinktech desempenha um papel estratégico na diversificação da atividade da Disterm, permitindo responder a projetos cada vez mais integrados, onde a climatização e a produção de energia trabalham de forma complementar. A diferenciação resulta da combinação entre tecnologia, fiabilidade dos equipamentos, apoio técnico especializado e proximidade ao instalador. Mais do que fornecer produtos, procuramos disponibilizar soluções completas que contribuam para edifícios mais eficientes e sustentáveis. Na perspetiva da Disterm, quais serão as principais tendências que irão marcar o setor AVAC nos próximos cinco a dez anos? Acreditamos que o setor será fortemente influenciado por três grandes fatores: eficiência energética, eletrificação e digitalização. As bombas de calor continuarão a ganhar protagonismo, tanto no segmento residencial como Portugal Porto Lisboa Algarve 229 991 100 219 748 491 289 092 586 geral@sodeca.pt www.sodeca.pt Conjunto certi cado F400 de acordo com a norma EN 12101-3 Caixa de ventilação e ltros ensaiados em conjunto SOLUÇÕES ECOLOGY UNIT SOLUÇÕES ECOLOGY UNIT COM FILTRO ELETROSTÁTICO PARA COZINHAS PROFISSIONAIS ECOLOGY UNITS Soluções ecológicas que reduzem a poluição do ar exterior CJBDT/ALS-FE CJTXR/FE VANTAGENS CONJUNTO CERTIFICADO F400 FILTRO ELETROSTÁTICO VENTILADOR O conjunto completo com ventilador e ltro eletrostático está preparado para: Garantir a extração de fumo a alta temperatura Proteção total de instalações e pessoas Continuar a funcionar de forma segura em caso de incêndio

ENTREVISTA 18 comercial. Paralelamente, veremos uma integração crescente entre climatização, produção fotovoltaica, armazenamento de energia e sistemas inteligentes de gestão dos edifícios. A conectividade, a monitorização remota, a inteligência artificial aplicada à gestão energética e a utilização de refrigerantes com menor impacto ambiental serão igualmente tendências dominantes. Os instaladores terão de desenvolver competências cada vez mais abrangentes, combinando conhecimento mecânico, elétrico e digital. O atual contexto geopolítico, aliado às sucessivas alterações da regulamentação europeia, tem colocado novos desafios ao setor. De que forma a empresa tem sido afetada por este cenário? O aumento das exigências regulamentares e as alterações geopolíticas globais têm criado desafios importantes, nomeadamente ao nível dos custos, disponibilidade de equipamentos e necessidade de adaptação tecnológica. A Disterm tem procurado responder através da diversificação de fornecedores, reforço dos stocks estratégicos, atualização permanente das equipas e acompanhamento próximo das alterações legislativas europeias. Ao mesmo tempo, encaramos estas mudanças como uma oportunidade para acelerar a adoção de soluções mais eficientes e ambientalmente responsáveis, alinhadas com os objetivos de descarbonização definidos pela União Europeia. A disponibilidade de apoio pós-venda e assistência técnica é frequentemente apontada como um fator decisivo na escolha de um fornecedor. Como está estruturado o serviço técnico da Disterm? Consideramos o serviço técnico um dos principais fatores de diferenciação da Disterm. Dispomos de uma equipa técnica especializada e multidisciplinar, preparada para apoiar os instaladores em todas as fases do processo, desde o dimensionamento e seleção das soluções mais adequadas até ao acompanhamento em obra, colocação em serviço e apoio pós-instalação. Este suporte inclui assistência técnica, esclarecimento de dúvidas, análises de desempenho, gestão de garantias e apoio na resolução de ocorrências, assegurando que cada instalação é executada com rigor, segurança e de acordo com os mais elevados padrões de qualidade. Contamos igualmente com técnicos altamente qualificados, distribuídos por todo o país, o que nos permite assegurar intervenções no terreno de forma rápida e eficaz. A este compromisso junta-se um stock estruturado de peças de substituição, essencial para reduzir tempos de paragem e garantir a satisfação do cliente final. Mais do que resolver situações pontuais, o nosso objetivo é proporcionar aos nossos parceiros um apoio técnico contínuo e de proximidade, reforçando a sua confiança nas marcas que representamos e contribuindo para que possam prestar um serviço cada vez mais qualificado aos seus próprios clientes. A eficiência energética, a eletrificação dos edifícios e a descarbonização estão a redefinir o setor AVAC. Que desafios e oportunidades identifica a Disterm para os instaladores portugueses neste novo contexto? Estamos perante uma das maiores transformações da história do setor. A substituição progressiva dos sistemas baseados em combustíveis fósseis por soluções elétricas altamente eficientes cria uma enorme oportunidade para os instaladores que apostarem na qualificação e especialização. Por outro lado, esta evolução exige uma atualização constante de conhecimentos, particularmente nas áreas das bombas de calor, integração com energia fotovoltaica, automação e gestão energética. Os profissionais que investirem em formação contínua estarão particularmente bem posicionados para beneficiar do crescimento que o setor continuará a registar nos próximos anos. Para terminar, que mensagem gostaria a Disterm de deixar aos instaladores que acompanharam estes 25 anos de atividade e à nova geração de profissionais que agora entra no setor? Antes de mais, gostaríamos de expressar o nosso sincero agradecimento a todos os instaladores, clientes, colaboradores e parceiros que fizeram parte da história da Disterm ao longo destes 25 anos. Grande parte do nosso sucesso deve-se à confiança que depositaram na empresa e à colaboração que construímos ao longo do tempo. Temos orgulho em ter crescido lado a lado com muitos profissionais que hoje são referências no setor. À nova geração deixamos uma mensagem de confiança e otimismo. O setor AVAC vive um período de grande transformação, inovação e crescimento. Nunca existiram tantas oportunidades para profissionais qualificados, capazes de abraçar a tecnologia, a eficiência energética e a sustentabilidade. A Disterm continuará a investir na formação, na inovação e na proximidade com os instaladores, porque acreditamos que o futuro do setor será construído em parceria, tal como aconteceu nos últimos 25 anos. n

20 TENDÊNCIAS AVAC TRANE: POR QUE RAZÃO O AVAC TRADICIONAL JÁ NÃO É SUFICIENTE Os sistemas de climatização dos edifícios estão a atravessar uma transformação profunda. As soluções e sistemas convencionais de aquecimento e arrefecimento deixaram de responder, de forma plenamente eficaz, às atuais exigências de eficiência energética, às metas de descarbonização definidas a nível europeu e à crescente necessidade de flexibilidade operacional nos edifícios de serviços. Trane Portugal

21 TENDÊNCIAS AVAC Neste contexto, uma nova geração de soluções de AVAC — designada por Sistemas de Gestão Térmica (SGT), está a afirmar-se como uma das abordagens mais eficazes para reduzir consumos energéticos, diminuir as emissões de carbono e assegurar níveis de conforto térmico consistentes ao longo de todo o ano. Mais do que uma evolução tecnológica, os SGT representam uma mudança de paradigma na forma como o calor e o frio são produzidos, distribuídos e reaproveitados no edifício. Este artigo explica o que caracteriza um Sistema de Gestão Térmica, em que difere da conceção tradicional de AVAC e que vantagens oferece nas tipologias de edifícios mais comuns. O QUE É UM SISTEMA DE GESTÃO TÉRMICA? Um Sistema de Gestão Térmica (SGT) é uma solução integrada de aquecimento e arrefecimento que utiliza um ciclo termodinâmico alimentado inteiramente por eletricidade para satisfazer, em simultâneo, as necessidades térmicas de um edifício ou de um processo industrial. Ao contrário da arquitetura convencional, em que uma caldeira produz calor e um chiller independente produz frio, o SGT assenta numa lógica de bomba de calor, capaz de fornecer aquecimento e arrefecimento a partir do mesmo princípio de funcionamento e, em muitos casos, em simultâneo. Importa sublinhar que não se trata necessariamente de um equipamento único. Um SGT pode assumir a forma de uma unidade autónoma ou de um conjunto de equipamentos interligados, concebidos para gerir os fluxos térmicos de forma inteligente. Na prática, o sistema transfere calor de zonas com excesso térmico para zonas com défice, recupera calor residual que de outra forma seria rejeitado e reutiliza-o onde ele é efetivamente necessário. LIMITAÇÕES DO SISTEMA TRADICIONAL DE AVAC Para compreender a relevância dos Sistemas de Gestão Térmica, importa olhar para as limitações da configuração convencional ainda presente em muitos edifícios comerciais. Na maioria dos casos, esta arquitetura assenta em: • Uma caldeira que queima combustíveis fósseis, como o gás natural ou fuel, para fornecer aquecimento; • Um chiller que utiliza eletricidade para produzir frio; • Dois sistemas completamente independentes, sem qualquer integração entre si; • Calor de rejeição do ciclo de arrefecimento dissipado para o ambiente exterior; • Caldeira a produzir calor com emissões elevadas de CO2 para satisfazer as necessidades de água quente, em simultâneo com o arrefecimento. Trata-se de uma solução tecnicamente consolidada, mas cada vez menos alinhada com os objetivos de desempenho energético e sustentabilidade. O calor rejeitado pelo chiller — energia que já foi paga e processada — poderia ser reaproveitado para aquecimento ambiente ou produção de água quente. No entanto, num sistema tradicional, essa energia é dissipada para o exterior, enquanto a caldeira consome novo combustível para gerar calor adicional. O problema é, por isso, duplo: perde-se energia útil e recorre-se a combustíveis fósseis para suprir necessidades térmicas que poderiam ser satisfeitas por recuperação interna. É precisamente aqui que o SGT introduz uma mudança decisiva. Em vez de desperdiçar calor, recupera-o. Em vez de funcionar em modo de aqueciIDEIA CENTRAL - GERIR ENERGIA TÉRMICA, NÃO APENAS PRODUZI-LA O princípio fundamental de um SGT é simples: em vez de operar com dois sistemas separados e, por vezes, contraditórios — um a produzir frio e outro a gerar calor por combustão —, o edifício passa a dispor de um sistema integrado, capaz de coordenar os fluxos térmicos de forma otimizada. Esta abordagem permite reutilizar calor em vez de o gerar de raiz, reduzindo significativamente o desperdício energético. O resultado é uma maior eficiência global do sistema, acompanhada de menores custos operacionais e de uma redução efetiva das emissões associadas à climatização. Os Sistemas de Gestão Térmica (SGT) representam uma mudança de paradigma na forma como o calor e o frio são produzidos, distribuídos e reaproveitados no edifício

22 TENDÊNCIAS AVAC mento ou de arrefecimento, consegue responder simultaneamente a ambas as necessidades, ajustando-se em permanência ao perfil térmico real do edifício. PORQUE OS EDIFÍCIOS PRECISAM DE AQUECIMENTO E ARREFECIMENTO EM SIMULTÂNEO? Na operação real de um edifício, raramente existe um cenário de aquecimento puro ou arrefecimento puro. Pelo contrário, as diferentes zonas de um edifício apresentam necessidades térmicas distintas e, muitas vezes, opostas ao mesmo tempo. Esta realidade não constitui uma exceção: é, na verdade, a condição normal em edifícios de serviços de média e grande dimensão. As cargas internas geradas por equipamentos, iluminação e ocupação humana criam frequentemente necessidades de arrefecimento nas zonas interiores, enquanto áreas periféricas, fachadas menos expostas ao sol ou pisos térreos podem necessitar de aquecimento. A isto soma-se ainda a produção de águas quentes sanitárias, que se mantém ao longo de todo o ano, independentemente da estação. O SGT responde a esta realidade de forma nativa: gere os fluxos de calor entre zonas com necessidades opostas, sem consumo adicional de energia de geração. Os Sistemas de Gestão Térmica respondem de forma particularmente eficaz a este contexto, porque foram concebidos precisamente para gerir fluxos de calor entre zonas com necessidades opostas, tirando partido da energia já existente no edifício. Em vez de aumentar a produção energética para responder a pedidos simultâneos de calor e frio, o sistema redistribui energia térmica de forma inteligente, com ganhos evidentes de eficiência. APLICAÇÃO POR TIPOLOGIA DE EDIFÍCIO Hospitais Os hospitais apresentam alguns dos perfis térmicos mais exigentes de todo QUADRO COMPARATIVO: SISTEMA TRADICIONAL vs. SISTEMA DE GESTÃO TÉRMICA ASPETO SISTEMA TRADICIONAL SISTEMA DE GESTÃO TÉRMICA Fonte de calor Caldeira a gás ou fuel Bomba de calor elétrica Fonte de frio Chiller independente Mesmo ciclo termodinâmico Operação simultânea Não suportada — duplicação de consumo Nativa — redistribuição interna de calor Calor de rejeição Dissipado para o exterior Recuperado e reutilizado Vetor energético Gás + eletricidade Eletricidade (100%) Emissões de CO2 Elevadas (combustão) Muito reduzidas Controlo Dois sistemas independentes Sistema integrado único

23 TENDÊNCIAS AVAC o parque edificado e, por esse motivo, são dos edifícios que mais beneficiam de um SGT. As exigências funcionais destas instalações implicam necessidades térmicas contínuas, rigorosas e frequentemente simultâneas: • As áreas cirúrgicas, de imagiologia e outros espaços técnicos sensíveis requerem arrefecimento permanente, de forma a garantir um controlo rigoroso da temperatura e da humidade ao longo de todo o ano; • Os quartos de internamento dos doentes podem necessitar de aquecimento, especialmente no Inverno, mesmo quando os blocos técnicos permanecem em regime de arrefecimento • A produção de águas quentes sanitárias, normalmente com requisitos mínimos de temperatura na ordem dos 60 °C, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Neste enquadramento, o SGT permite recuperar o calor resultante do arrefecimento das áreas técnicas e cirúrgicas e reutilizá-lo na produção de águas quentes sanitárias ou no aquecimento das alas de internamento. Num sistema convencional, esta oportunidade de valorização energética perde-se, uma vez que o calor é simplesmente rejeitado para o exterior. Hotéis As unidades hoteleiras combinam utilizações com perfis térmicos opostos, o que cria condições muito favoráveis para a aplicação de um SGT. • Os quartos e suites apresentam necessidades sazonais típicas de aquecimento e arrefecimento; • As cozinhas, lavandarias, zonas de SPA e áreas técnicas geram cargas térmicas internas relevantes ao longo de todo o ano; • A procura de água quente é elevada durante todo o ano. Num sistema convencional, o calor residual produzido nas cozinhas e lavandarias é dissipado, enquanto a produção de água quente continua dependente de uma caldeira a gás ou de outro sistema dedicado. Com um SGT, esse calor pode ser captado e reaproveitado, reduzindo de forma significativa o consumo energético associado ao aquecimento e melhorando o desempenho global da instalação. Edifícios de Escritórios Mesmo os edifícios de escritórios, que à primeira vista podem parecer mais homogéneos do ponto de vista funcional, apresentam frequentemente cargas térmicas diversificadas que favorecem a aplicação de um Sistema de Gestão Térmica. • As fachadas expostas a sul ou a poente podem necessitar de arrefecimento enquanto as zonas a norte ou os pisos térreos necessitam de aquecimento;

24 TENDÊNCIAS AVAC • As salas de reuniões geram picos de carga interna associados à ocupação variável, exigindo respostas rápidas e localizadas; • As salas técnicas e os data centers necessitam de arrefecimento contínuo, com grande potencial de recuperação de calor para outras zonas. É precisamente nestes cenários de carga mista que o SGT demonstra maior vantagem, ao possibilitar uma gestão integrada e dinâmica dos fluxos térmicos, com níveis de eficiência muito superiores aos de sistemas concebidos para responder apenas a cargas unidirecionais. VANTAGENS TÉCNICAS DO SISTEMA DE GESTÃO TÉRMICA Do ponto de vista técnico, a adoção de um SGT traduz-se num conjunto de vantagens concretas e mensuráveis: • Eficiência energética superior: o sistema reutiliza calor que de outro modo seria desperdiçado, reduzindo o consumo de energia de geração. A poupança pode atingir 35% a 60% no consumo de AVAC, dependendo da tipologia e do perfil de cargas do edifício; • Eliminação da dependência de combustíveis fósseis: o SGT funciona exclusivamente com eletricidade, permitindo a integração direta com fontes de energia renovável — fotovoltaico, eólico ou redes de calor urbano; • Redução das emissões de CO2: ao substituir a caldeira de combustão por uma bomba de calor elétrica, as emissões associadas ao aquecimento caem de forma significativa — tanto mais quanto maior for a incorporação de eletricidade renovável na rede; • Operação coordenada e inteligente: a existência de um sistema de controlo único que gere simultaneamente o aquecimento e o arrefecimento permite uma otimização contínua em função das cargas reais, das condições exteriores e dos perfis de ocupação; • Simplicidade de exploração: a convergência de dois sistemas numa única plataforma reduz a complexidade de operação e de manutenção, diminuindo os custos associados ao longo do ciclo de vida da instalação. CONSIDERAÇÕES PARA O PROJETO A implementação de um SGT pressupõe uma análise cuidada das cargas térmicas reais do edifício ao longo do ano e não apenas os picos de projeto. É essencial caracterizar: • A frequência e a intensidade das situações de aquecimento e arrefecimento simultâneos, por zona; • O perfil de consumo de água quente sanitária e as temperaturas de serviço exigidas; • As fontes internas de calor recuperável, salas técnicas, equipamentos de processo, cozinhas industriais; • A disponibilidade e o custo da eletricidade, incluindo a possibilidade de integração com produção fotovoltaica local. O dimensionamento deve privilegiar a operação em modo de recuperação simultânea, que é o regime de maior eficiência. O sistema de controlo, tipicamente integrado num sistema de gestão técnica centralizada, é um componente crítico: é ele que assegura a distribuição ótima dos fluxos térmicos em tempo real. NOTA PARA O PROJETISTA O sistema de controlo não deve ser encarado como um elemento acessório do sistema de geração. Num Sistema de Gestão Térmica, a lógica de gestão dos fluxos de calor é tão determinante para o desempenho global como a seleção dos próprios equipamentos. Uma estratégia de controlo inadequada, ou uma parametrização deficiente, pode comprometer de forma significativa os ganhos de eficiência previstos em projeto.

25 TENDÊNCIAS AVAC Para mais informações, visite o website da Trane www.trane.eu/pt A abordagem convencional de AVAC, baseada numa caldeira a gás para aquecimento e num chiller independente para arrefecimento, assenta numa lógica de separação funcional que é, simultaneamente, energeticamente ineficiente e cada vez menos compatível com o enquadramento regulatório europeu em matéria de descarbonização dos edifícios. O Sistema de Gestão Térmica vem inverter esta lógica. Ao integrar a produção de calor e de frio num único ciclo termodinâmico e ao gerir os fluxos energéticos de forma coordenada, esta solução permite alcançar eficiências substancialmente superiores, reduzir ou eliminar a dependência de combustíveis fósseis e responder de forma mais adequada às exigências de controlo, monitorização e flexibilidade dos edifícios contemporâneos. Para os engenheiros de instalações, o domínio desta tecnologia constitui uma competência cada vez mais relevante, tanto no projeto de edifícios novos como na reabilitação e modernização de instalações existentes. n Sistemas de prensar Viega Torne a instalação mais inteligente. WORK HARD Execute de forma inteligente Mais nem sempre significa melhor. Utilize as soluções dos sistemas de prensar Viega de forma mais eficiente, muito mais seguro e rápido com apenas uma Pressgun Viega nas suas mãos. Viega. Connected in quality. WORK SMART viega.pt

DESEMPENHO REAL: O PRÓXIMO DESAFIO PARA A EFICIÊNCIA DOS SISTEMAS AVAC Numa altura em que aguardamos a transposição da nova Diretiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), a preocupação crescente com a eficiência energética dos edifícios tem colocado os sistemas AVAC no centro da discussão. É frequente encontrar instalações equipadas com tecnologias de elevada eficiência nominal que, na realidade, apresentam consumos superiores aos esperados ou condições de conforto inadequadas. APIRAC Surge, assim, uma questão fundamental: quem é responsável pelo desempenho energético de uma instalação de AVAC? A resposta não pode ser atribuída a um único interveniente. O desempenho resulta de uma cadeia de decisões que começa no projeto e se prolonga durante toda a vida útil da instalação. DO PROJETO À EXPLORAÇÃO O projeto constitui o ponto de partida. O correto dimensionamento, a seleção dos equipamentos, os caudais, 26 TENDÊNCIAS AVAC

27 TENDÊNCIAS AVAC as temperaturas de funcionamento, a distribuição e as estratégias de controlo são determinantes. Um equipamento de elevada eficiência não consegue compensar um sistema mal dimensionado ou inadequadamente concebido. Na fase de instalação, a qualidade da execução é igualmente importante. Tubagens mal isoladas, condutas com fugas, circuitos hidráulicos desequilibrados ou sistemas de controlo incorretamente configurados podem comprometer significativamente o desempenho previsto. Por isso, não basta instalar corretamente os equipamentos: é necessário verificar se a instalação funciona conforme projetado. O PAPEL DO COMISSIONAMENTO O Comissionamento assume uma importância fundamental neste processo. Se, desde o início do projeto, o comissionamento for uma preocupação e for devidamente utilizado em todas as fases, poderão ser identificados problemas ou incompatibilidades antecipadamente, permitindo que os sistemas de AVAC estejam efetivamente preparados para funcionar de forma eficiente. OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO Ao longo da vida útil dos sistemas de AVAC, a manutenção passa a ter um papel decisivo. Filtros obstruídos, permutadores sujos, fugas de fluido frigorigéneo, sensores descalibrados ou parâmetros de controlo inadequados podem provocar aumentos significativos dos consumos. A manutenção deve, por isso, deixar de ser vista apenas como uma atividade destinada a reparar avarias e passar a ser também uma ferramenta de preservação do desempenho energético. Também a gestão técnica e os utilizadores influenciam diretamente os resultados. Horários excessivos, 'setpoints' inadequados ou utilização incorreta dos sistemas podem anular parte dos ganhos obtidos através de equipamentos eficientes. RESPONSABILIDADE PARTILHADA O desempenho energético de uma instalação de AVAC resulta, portanto, da contribuição de vários intervenientes: A responsabilidade pelo desempenho energético de uma instalação de AVAC deve ser partilhada ao longo de todo o seu ciclo de vida

O correto dimensionamento, a seleção dos equipamentos, os caudais, as temperaturas de funcionamento, a distribuição e as estratégias de controlo são determinantes. Um equipamento de elevada eficiência não consegue compensar um sistema mal dimensionado ou inadequadamente concebido • Projetista - define a solução e o dimensionamento; • Fabricante - assegura as características e desempenho dos equipamentos; • Instalador - garante a correta instalação; • Manutenção - preserva o desempenho ao longo do tempo; • Gestor do edifício - assegura uma operação adequada; • Utilizador - influencia o consumo através do comportamento. DA EFICIÊNCIA DO EQUIPAMENTO AO DESEMPENHO DO SISTEMA O setor AVAC deve evoluir de uma lógica centrada na eficiência nominal dos equipamentos para uma abordagem baseada no desempenho real e global da instalação. Indicadores como COP, EER, SEER ou SCOP são fundamentais para caracterizar equi28 TENDÊNCIAS AVAC pamentos, mas não garantem, por si só, que uma instalação seja eficiente em condições reais de funcionamento. O verdadeiro objetivo deve ser assegurar, simultaneamente, conforto, qualidade do ar interior, fiabilidade e eficiência energética. Por este motivo, a responsabilidade pelo desempenho energético de uma instalação de AVAC deve ser partilhada ao longo de todo o seu ciclo de vida. No entanto, responsabilidade partilhada não deve significar responsabilidade diluída. A pergunta “qual é o equipamento mais eficiente?” deverá, cada vez mais, dar lugar a uma questão mais abrangente: “Quem garante que a instalação, como um todo, continua a funcionar de forma eficiente?” É nesta transição da eficiência do produto para o desempenho real do sistema que se encontra um dos grandes desafios do futuro do setor. n C M Y CM MY CY CMY K

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