BI350 - O Instalador

21 TENDÊNCIAS AVAC Neste contexto, uma nova geração de soluções de AVAC — designada por Sistemas de Gestão Térmica (SGT), está a afirmar-se como uma das abordagens mais eficazes para reduzir consumos energéticos, diminuir as emissões de carbono e assegurar níveis de conforto térmico consistentes ao longo de todo o ano. Mais do que uma evolução tecnológica, os SGT representam uma mudança de paradigma na forma como o calor e o frio são produzidos, distribuídos e reaproveitados no edifício. Este artigo explica o que caracteriza um Sistema de Gestão Térmica, em que difere da conceção tradicional de AVAC e que vantagens oferece nas tipologias de edifícios mais comuns. O QUE É UM SISTEMA DE GESTÃO TÉRMICA? Um Sistema de Gestão Térmica (SGT) é uma solução integrada de aquecimento e arrefecimento que utiliza um ciclo termodinâmico alimentado inteiramente por eletricidade para satisfazer, em simultâneo, as necessidades térmicas de um edifício ou de um processo industrial. Ao contrário da arquitetura convencional, em que uma caldeira produz calor e um chiller independente produz frio, o SGT assenta numa lógica de bomba de calor, capaz de fornecer aquecimento e arrefecimento a partir do mesmo princípio de funcionamento e, em muitos casos, em simultâneo. Importa sublinhar que não se trata necessariamente de um equipamento único. Um SGT pode assumir a forma de uma unidade autónoma ou de um conjunto de equipamentos interligados, concebidos para gerir os fluxos térmicos de forma inteligente. Na prática, o sistema transfere calor de zonas com excesso térmico para zonas com défice, recupera calor residual que de outra forma seria rejeitado e reutiliza-o onde ele é efetivamente necessário. LIMITAÇÕES DO SISTEMA TRADICIONAL DE AVAC Para compreender a relevância dos Sistemas de Gestão Térmica, importa olhar para as limitações da configuração convencional ainda presente em muitos edifícios comerciais. Na maioria dos casos, esta arquitetura assenta em: • Uma caldeira que queima combustíveis fósseis, como o gás natural ou fuel, para fornecer aquecimento; • Um chiller que utiliza eletricidade para produzir frio; • Dois sistemas completamente independentes, sem qualquer integração entre si; • Calor de rejeição do ciclo de arrefecimento dissipado para o ambiente exterior; • Caldeira a produzir calor com emissões elevadas de CO2 para satisfazer as necessidades de água quente, em simultâneo com o arrefecimento. Trata-se de uma solução tecnicamente consolidada, mas cada vez menos alinhada com os objetivos de desempenho energético e sustentabilidade. O calor rejeitado pelo chiller — energia que já foi paga e processada — poderia ser reaproveitado para aquecimento ambiente ou produção de água quente. No entanto, num sistema tradicional, essa energia é dissipada para o exterior, enquanto a caldeira consome novo combustível para gerar calor adicional. O problema é, por isso, duplo: perde-se energia útil e recorre-se a combustíveis fósseis para suprir necessidades térmicas que poderiam ser satisfeitas por recuperação interna. É precisamente aqui que o SGT introduz uma mudança decisiva. Em vez de desperdiçar calor, recupera-o. Em vez de funcionar em modo de aqueciIDEIA CENTRAL - GERIR ENERGIA TÉRMICA, NÃO APENAS PRODUZI-LA O princípio fundamental de um SGT é simples: em vez de operar com dois sistemas separados e, por vezes, contraditórios — um a produzir frio e outro a gerar calor por combustão —, o edifício passa a dispor de um sistema integrado, capaz de coordenar os fluxos térmicos de forma otimizada. Esta abordagem permite reutilizar calor em vez de o gerar de raiz, reduzindo significativamente o desperdício energético. O resultado é uma maior eficiência global do sistema, acompanhada de menores custos operacionais e de uma redução efetiva das emissões associadas à climatização. Os Sistemas de Gestão Térmica (SGT) representam uma mudança de paradigma na forma como o calor e o frio são produzidos, distribuídos e reaproveitados no edifício

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