BI350 - O Instalador

33 TENDÊNCIAS AVAC “SUMMER ENERGY POVERTY” COLOCA O CONFORTO TÉRMICO NO CENTRO A discussão sobre o futuro do AVAC não é apenas tecnológica. No relatório Household Energy Affordability: Data and Indicators, a IEA introduz uma dimensão económica e social: a capacidade das famílias para suportarem os custos do conforto térmico. O conceito de “summer energy poverty” ganha relevância num contexto de temperaturas mais elevadas. Habitações mal isoladas, expostas ao sobreaquecimento ou equipadas com sistemas ineficientes podem exigir mais energia para garantir condições adequadas de conforto. Para agregados com menores rendimentos, a consequência pode ser a existência de necessidades de arrefecimento não satisfeitas, seja pela dificuldade em adquirir equipamentos, seja pelos custos associados à sua utilização. Este cenário reforça uma ideia importante para o setor: um equipamento eficiente não chega se o sistema como um todo não for eficiente. Envolvente, dimensionamento, instalação, controlo e utilização passam a fazer parte da mesma equação. A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CHEGA AO TRABALHO DE MANUTENÇÃO A inteligência artificial é outra das tendências identificadas nos estudos analisados. O 2026 Trend Report da AHR Expo coloca IA, smart controls e building automation entre as áreas centrais da evolução do HVACR, com aplicações em manutenção preditiva, eficiência energética, diagnóstico e conforto. A principal mudança está na passagem de uma manutenção essencialmente reativa para uma abordagem preditiva. Sensores e algoritmos podem identificar alterações no comportamento de um equipamento e sinalizar potenciais problemas antes de ocorrer uma avaria. O sistema pode também ajustar o funcionamento da climatização em função de variáveis como: • ocupação; • temperatura; • qualidade do ar; • horários; • condições exteriores; • consumo energético. Isto não significa que o técnico deixe de ser necessário. Significa que o técnico passa a ter acesso a mais informação. A capacidade de interpretar dados e relacioná-los com o comportamento físico do equipamento poderá tornar- -se uma competência cada vez mais importante. DO EQUIPAMENTO INTELIGENTE AO EDIFÍCIO INTELIGENTE A digitalização está também a eliminar a separação tradicional entre AVAC e restantes sistemas técnicos do edifício. A tendência identificada pela AHR Expo aponta para uma maior integração entre climatização, sensores, automação, iluminação, produção fotovoltaica, armazenamento e sistemas de gestão técnica. O conceito-chave passa a ser interoperabilidade. O equipamento deixa de ser uma unidade isolada e passa a fazer parte de uma rede. Para o instalador, esta mudança é significativa. CINCO TENDÊNCIAS PARA ACOMPANHAR Apesar da diversidade de tecnologias, os estudos analisados permitem identificar cinco grandes linhas de evolução que deverão continuar a marcar o setor. • Bombas de calor e eletrificação - O aquecimento está progressivamente a ser integrado num sistema energético mais amplo, com ligação a eletricidade, produção renovável e gestão da procura. • Arrefecimento eficiente - O aumento da procura de frio torna o desempenho energético dos sistemas uma questão central para edifícios e infraestruturas. • Inteligência artificial e manutenção preditiva - Sensores, dados e algoritmos deverão assumir um papel crescente no diagnóstico, controlo e manutenção. • Refrigerantes de menor GWP - A evolução dos fluidos refrigerantes continuará a alterar equipamentos, procedimentos e necessidades de formação. • Integração entre AVAC, energia e dados - A climatização será cada vez mais uma componente de um sistema que inclui automação, produção renovável, armazenamento e gestão energética. O profissional terá de continuar a dominar termodinâmica, hidráulica, eletricidade e controlo, mas poderá ter também de trabalhar com protocolos de comunicação, sensores, plataformas digitais, automação e análise de dados. A digitalização, neste sentido, não elimina a competência técnica. Aumenta a necessidade dela.

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