A inteligência artificial e a eficiência energética estiveram em destaque no V Congresso Internacional Giacomini, que reuniu mais de 200 profissionais do setor AVAC, a 23 de outubro, em Mortágua. Organizado pela Giacomini Portugal e pela MACOP, o encontro debateu os desafios da climatização, da construção sustentável e da transição energética.
A aplicação da inteligência artificial aos sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) foi um dos principais temas do programa, em particular o seu contributo para a monitorização dos equipamentos, a deteção antecipada de anomalias e a otimização dos consumos energéticos.
João Simões, da Agência para a Energia (ADENE), destacou a capacidade desta tecnologia para interligar diferentes sistemas de um edifício e melhorar o respetivo desempenho energético. “Sendo o sistema AVAC o principal consumidor de energia em edifícios, a inteligência artificial permite a otimização, principalmente com energias renováveis. Além disso, a sua integração possibilita a deteção de falhas, falhas que podem elevar o consumo do próprio sistema. Com um diagnóstico atempado, é possível otimizar todo o sistema AVAC”, explicou.
A utilização destas ferramentas permite antecipar problemas de funcionamento, reduzir desperdícios energéticos e melhorar a gestão dos sistemas de climatização.
O estado atual da construção em Portugal foi outro dos assuntos em análise. José de Matos, antigo secretário-geral da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC), identificou sinais de crescimento no setor, mas também desafios relacionados com a produtividade, a utilização de recursos e a sustentabilidade.
Segundo o especialista, a construção atravessa um processo de exigência crescente em matéria de eficiência, que abrange os materiais, os processos construtivos e os equipamentos e sistemas integrados nos edifícios.
A redução do desperdício, a utilização racional dos recursos e a diminuição do carbono incorporado foram apontadas como áreas prioritárias para a evolução do setor. Neste contexto, a implementação das novas exigências europeias relativas ao desempenho energético dos edifícios constitui também um desafio para os diferentes intervenientes da cadeia de construção.
A escolha dos materiais e a relação entre arquitetura e envolvente local estiveram igualmente em discussão, com particular atenção às construções em madeira.
Fernando Coelho, arquiteto do Atelier FFC Arquitetos, abordou as características térmicas deste material e as vantagens associadas ao menor tempo de execução, quando comparado com os métodos construtivos convencionais. O arquiteto destacou a capacidade da madeira para contribuir para o isolamento térmico dos edifícios, reduzindo as necessidades de aquecimento e arrefecimento.
A descarbonização da produção de energia térmica foi outro dos temas abordados, com uma análise ao potencial do hidrogénio enquanto vetor energético.
Luís Ramos, do Departamento de Engenharia e Formação da Giacomini Portugal, considerou que “o hidrogénio será um dos vetores energéticos do futuro”, destacando a ausência de emissões poluentes associadas à sua utilização.
O programa incluiu ainda a apresentação de novas bombas de calor com refrigerante R290, caracterizadas pelo reduzido impacto climático e pela elevada eficiência energética.
Carlos Teixeira, do Departamento de Engenharia da Giacomini Portugal, apresentou as características destas soluções e abordou a importância do equilíbrio dinâmico no funcionamento dos sistemas radiantes, enquanto elemento que contribui para uma resposta mais rápida e para a otimização do desempenho global da instalação.
A aerotermia e a climatização radiante integraram igualmente o debate, numa análise centrada na evolução tecnológica dos equipamentos e nas exigências dos edifícios atuais.
O congresso dedicou também espaço às competências dos instaladores, à articulação entre a academia e os profissionais e aos desafios associados à intervenção no parque edificado português. A inteligência emocional nas empresas encerrou o programa.
No balanço do encontro, Vasco Silva, diretor-geral da Giacomini Portugal, destacou o contributo do congresso para a divulgação e compreensão das tecnologias aplicadas ao setor.
“Creio que demos um fortíssimo contributo ao mercado, em geral, e aos instaladores, em Portugal, na descodificação da tecnologia, fazendo muita pedagogia. Ficaria muito satisfeito se essas ‘sementes germinassem’ num futuro próximo”, afirmou.
Stefano Bossi, diretor de marketing do Grupo Giacomini, salientou a qualidade das intervenções e a atualidade dos temas abordados.
Por parte da MACOP, Filipa Martins, da administração da empresa, destacou a importância do encontro para o reforço da proximidade com os clientes e parceiros. Ana Henriques, também da administração, assinalou a participação de clientes acompanhados pelas gerações mais jovens, considerando essa presença relevante para a continuidade dos negócios.
O V Congresso Internacional Giacomini integra um ciclo de iniciativas iniciado em 2024. Desde então, os congressos já mobilizaram mais de 600 profissionais e um conjunto alargado de especialistas das áreas do AVAC, energia, arquitetura, construção e engenharia.




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