A nova regulamentação europeia dos gases fluorados está a acelerar a transição para refrigerantes de muito baixo potencial de aquecimento global. Para fabricantes, projetistas e instaladores, a mudança já começou: o refrigerante utilizado passa a ser também uma variável na decisão sobre que tecnologia especificar hoje. A resposta da Thermor envolve o R290, que já está a chegar a diferentes escalas de aplicação.
É precisamente essa amplitude de aplicações que a Thermor e a YGNIS, marcas do Groupe Atlantic, procuram demonstrar com duas soluções baseadas em R290, mas destinadas a contextos muito diferentes.
No segmento doméstico, a Thermor Aéromax VS R290 de 240 litros é um dos lançamentos deste ano. Trata-se de uma bomba de calor para águas quentes sanitárias que procura responder a uma necessidade muito concreta de instalação: integrar uma capacidade significativa de armazenamento num espaço doméstico sem obrigar à criação de uma solução de encastre à medida.
Com um diâmetro standard de 600 mm, a unidade pode ser encastrada num armário, uma característica particularmente relevante em habitações onde o espaço disponível para equipamentos técnicos é cada vez mais limitado.
A solução apresenta classificação energética até A+, função anti-legionela programável até 70 °C e controlo remoto através de conectividade. Ao contrário das versões de 200 e 270 litros da mesma gama, que dispõem de uma versão Combi com serpentina para ligação a solar térmico, a versão de 240 litros é compatível apenas com instalações solares fotovoltaicas. O SCOP pode atingir 3,95, dependendo das condições de ensaio.
Mais do que uma mudança de refrigerante, a Aéromax VS R290 representa, neste caso, a aplicação da mesma tendência tecnológica a uma necessidade quotidiana: produzir AQS de forma eficiente, ocupando o espaço disponível e recorrendo já a uma tecnologia alinhada com a evolução regulamentar europeia.
No outro extremo estão os projetos de maior dimensão. É aqui que entra a YGNIS APTAE R290, uma solução pensada para instalações com necessidades térmicas significativamente superiores, como hotéis, hospitais, edifícios de serviços ou instalações desportivas.
A gama disponibiliza potências até 65 kW numa única unidade, impulsão de água até 75 °C e possibilidade de funcionamento em cascata. De acordo com a configuração indicada pela YGNIS, podem ser associados até sete equipamentos, permitindo chegar a uma potência total de 450 kW.
A lógica é diferente da aplicação doméstica, mas o princípio é o mesmo: utilizar R290 numa solução concebida para responder a necessidades concretas de produção de água quente em diferentes escalas.
A tecnologia já tem aplicações reais na Península Ibérica. A APTAE R290 foi, por exemplo, utilizada no Hospital Universitário de Torrejón, em Espanha, num contexto onde a produção de água quente e a continuidade de serviço assumem exigências particularmente elevadas. É um exemplo que mostra que a utilização de refrigerantes naturais já não está confinada às aplicações residenciais de menor dimensão.
A transição para refrigerantes naturais não significa simplesmente trocar um gás por outro. Para quem especifica, instala ou mantém equipamentos, há novos critérios que começam a entrar na equação.
Refrigerante: o tipo de refrigerante utilizado deve passar a ser considerado juntamente com potência, eficiência, temperaturas de funcionamento, configuração e requisitos da instalação.
Segurança: o R290 é classificado como refrigerante A3, devido à sua inflamabilidade. A conceção, instalação e manutenção dos equipamentos devem, por isso, ter em conta os requisitos de segurança aplicáveis.
Formação: à medida que estas soluções se tornam mais comuns, aumenta a importância de conhecer as características específicas do R290 e as boas práticas associadas à sua utilização.
Tipologia do equipamento: 2027 não é uma data única aplicável a todas as bombas de calor e sistemas de ar condicionado. O Regulamento (UE) 2024/573 estabelece diferentes prazos e condições consoante o tipo de equipamento, a potência e o refrigerante utilizado.
Para o profissional, a consequência é simples: a escolha de uma bomba de calor começa a ser uma decisão que vai além da potência e da eficiência energética.
A regulamentação estabelece datas, mas as decisões de projeto acontecem muito antes. Um equipamento instalado hoje poderá continuar em serviço durante muitos anos, e a tecnologia escolhida condiciona não apenas a instalação atual, mas também as opções disponíveis no futuro.
É por isso que o R290 está a ganhar espaço antes de os prazos regulamentares tornarem algumas das mudanças obrigatórias. Na habitação, a Aéromax VS R290 de 240 litros mostra como esta tecnologia pode ser integrada numa solução compacta de AQS. Nos grandes projetos, a APTAE R290 demonstra que o mesmo princípio pode ser levado a potências muito superiores e a instalações em cascata.
A questão, para quem projeta e instala, já não é apenas quando entram em vigor as próximas restrições. É também perceber que tecnologias faz sentido começar a especificar hoje.
E, nesse sentido, 2027 pode ser menos uma data de chegada do que um prazo que já está a influenciar as decisões tomadas agora.
Para mais informações, visite o webasite da Thermor






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