Entrevista a Nuno Henriques, diretor comercial da GREE Products em Portugal
GREE aposta em tecnologia, eficiência energética e proximidade ao instalador
“Não queremos ser apenas um fornecedor de máquinas, queremos ser um parceiro técnico de confiança para o instalador e projetista”
“A eficiência energética deixou de ser um argumento comercial e é hoje uma exigência regulamentar e uma responsabilidade coletiva”
“Estamos a caminhar para uma climatização cada vez mais inteligente, onde os dados desempenham um papel central”
A evolução tecnológica, a eficiência energética e o apoio técnico aos profissionais são pilares da estratégia da GREE Products em Portugal. Em entrevista, Nuno Henriques, diretor comercial da empresa, destaca o investimento em inovação, digitalização e formação como fatores determinantes para responder às novas exigências do setor da climatização.
Nuno Henriques, diretor comercial da GREE Products em Portugal.
Com base na sua experiência no mercado local, o que define atualmente a GREE Products e que valor diferenciador reconhecem os clientes profissionais face a outros fabricantes de climatização?
Diria que hoje a GREE Products é definida por um equilíbrio muito sólido entre tecnologia, fiabilidade e proximidade ao mercado. Trabalhamos com um dos maiores fabricantes mundiais de climatização, com forte capacidade de investigação e desenvolvimento, o que nos permite oferecer soluções tecnologicamente muito evoluídas. Mas, ao mesmo tempo, temos uma estrutura local próxima dos nossos clientes.
O que os profissionais mais valorizam é precisamente essa combinação: equipamentos robustos e eficientes, uma gama bastante abrangente – desde monosplits residenciais até sistemas VRF (GMV), chillers, aerotermia (Versati) e soluções industriais –, a relação qualidade-preço extremamente competitiva e uma equipa disponível para apoiar em dimensionamento, especificação e acompanhamento técnico. Não queremos ser apenas um fornecedor de máquinas, queremos ser um parceiro técnico de confiança para o instalador e projetista.
Num setor cada vez mais competitivo e maduro, onde considera que a GREE marca realmente a diferença: na tecnologia, no serviço ou na proximidade ao cliente?
É difícil separar essas dimensões, porque acredito que a diferença está na conjugação das três. A tecnologia é fundamental: falamos de sistemas inverter avançados, soluções com inteligência artificial (como na gama Clivia+), refrigerantes de baixo GWP (como o R290) e equipamentos com elevadas classificações energéticas. Mas a tecnologia, por si só, não é suficiente. O serviço e a proximidade são determinantes. O instalador e o projetista precisam de apoio, precisam de respostas rápidas e de acompanhamento técnico. Num mercado maduro como o português, a confiança constrói-se muito através dessa proximidade. E é aí que procuramos marcar a diferença.
A eficiência energética e a sustentabilidade já não são opcionais. De que forma as soluções da GREE ajudam a responder a este novo enquadramento normativo e às exigências do mercado?
A eficiência energética deixou de ser um argumento comercial e é hoje uma exigência regulamentar e uma responsabilidade coletiva. As nossas soluções estão totalmente alinhadas com essa realidade.
Temos equipamentos com classificações energéticas muito elevadas, tecnologia inverter que ajusta o consumo às necessidades reais e gamas que utilizam refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global, como o R290. Além disso, apostamos fortemente nas bombas de calor ar-água, que promovem a eletrificação eficiente e contribuem para a redução da dependência de combustíveis fósseis.
O mercado exige soluções mais sustentáveis, e a GREE está preparada para responder a esse desafio de forma concreta.
Os projetos atuais são cada vez mais complexos e exigentes. Que papel desempenham a conectividade, o controlo centralizado e a integração com sistemas BMS na conceção das instalações?
Hoje, a conectividade é praticamente um requisito base. Em edifícios comerciais, industriais ou de serviços, já não basta instalar equipamentos eficientes, é necessário integrá-los numa lógica de gestão global.
A possibilidade de controlo centralizado, ajuste dinâmico de cargas térmicas, monitorização remota e integração com sistemas BMS permite otimizar consumos, melhorar a gestão energética e garantir maior controlo operacional. Nos sistemas GMV, por exemplo, a modularidade e a gestão individualizada das unidades interiores permitem adaptar o consumo às reais necessidades de cada espaço. Isso traduz-se não só em poupança energética, mas também numa gestão mais inteligente do edifício como um todo.
Os sistemas mais recentes da GREE estão preparados para essa realidade e permitem uma grande flexibilidade na conceção dos projetos.
Para além do produto, de que forma o software, a digitalização e a monitorização estão a influenciar a eficiência real e o desempenho a longo prazo dos sistemas de climatização?
A eficiência real constrói-se ao longo do tempo e não depende apenas das características técnicas iniciais do equipamento, mas da forma como ele é utilizado, monitorizado e mantido.
A digitalização permite recolher dados, antecipar falhas, ajustar parâmetros e melhorar continuamente o desempenho do sistema. Isso reduz custos operacionais e prolonga a vida útil dos equipamentos.
Estamos a caminhar para uma climatização cada vez mais inteligente, onde os dados desempenham um papel central. E isso é algo que levamos muito a sério.
A fiabilidade e a manutenção estão a ganhar peso no processo de decisão. Como responde a GREE a esta procura em instalações críticas ou de funcionamento contínuo?
Em instalações críticas, a fiabilidade é absolutamente determinante. Paragens não planeadas têm custos elevados e impactos operacionais significativos.
A GREE aposta em equipamentos robustos, com sistemas de autodiagnóstico e arquitetura modular, que permitem redundância parcial em caso de falha e, portanto, maior segurança operacional. Além disso, a facilidade de acesso aos componentes simplifica as intervenções de manutenção e reduz tempos de paragem.
Mas tão importante quanto o equipamento é o acompanhamento técnico. Acreditamos muito no suporte ao profissional como parte integrante da solução.
A escassez de profissionais qualificados é um desafio transversal a todo o setor. Que papel devem os fabricantes assumir na formação e no acompanhamento técnico de instaladores e projetistas?
Os fabricantes têm hoje um papel absolutamente decisivo na qualificação do setor. A evolução tecnológica é muito rápida: novos refrigerantes, novas exigências regulamentares, sistemas mais inteligentes e conectados… e isso exige atualização constante por parte dos profissionais.
Na GREE estamos a investir fortemente na formação técnica, não apenas na vertente teórica, mas sobretudo na vertente prática: como instalar corretamente os nossos equipamentos, como fazer o dimensionamento adequado e como escolher a solução mais indicada para cada tipo de projeto. Sabemos que uma boa máquina mal instalada nunca entrega o desempenho esperado, por isso a formação é uma prioridade estratégica.
Nesse sentido, estamos a investir num novo centro de formação da GREE Academy em Portugal, que estará pronto em breve. Este espaço contará com um calendário regular de formações técnicas, sessões práticas e atualizações periódicas, permitindo aos instaladores e projetistas aprofundar conhecimentos e acompanhar a evolução das nossas gamas.
Acreditamos que a qualificação técnica é uma responsabilidade partilhada e que investir nos profissionais é investir no futuro do setor.
Para terminar, que mensagem gostaria de transmitir aos profissionais do setor sobre o rumo e as prioridades da GREE Products para os próximos anos?
Gostaria de transmitir uma mensagem de confiança e compromisso. A GREE continuará a apostar fortemente em inovação, eficiência energética e proximidade ao mercado. Queremos acompanhar os profissionais num contexto cada vez mais exigente, oferecendo soluções tecnicamente sólidas, sustentáveis e competitivas. O setor da climatização está a viver uma transformação profunda e estamos preparados para fazer parte dessa mudança.
Mais do que vender equipamentos, o nosso objetivo é construir relações duradouras com os nossos parceiros e crescer de forma sustentável no mercado português.