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Energia

Eletrificação e confiança na transição energética – para um futuro mais sustentável

Francisco Palma, Técnico do Portal casA+ e CLASSE+ da ADENE

10/02/2026
Uma nova era da energia está a chegar. Vivemos tempos em que os combustíveis fósseis, recursos finitos e grandes emissores de gases com efeito de estufa, estão a perder protagonismo face às energias renováveis.
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A aposta nas renováveis é importante para a União Europeia e particularmente estratégica para Portugal. Com efeito, num país dependente da importação de combustíveis fósseis, a transição energética não representa apenas uma via incontornável para a neutralidade climática. Significa também uma oportunidade para reduzir o défice na balança comercial e a vulnerabilidade a fatores externos como disrupções de fornecimento e oscilações imprevisíveis de preços, derivadas de guerras e outros fenómenos.

Graças às suas condições naturais, o território nacional tem um grande potencial de aproveitamento de fontes de energia renovável desde solar, eólica e hídrica, através da transformação de energia primária em eletricidade para o consumo. Além da produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, é necessário introduzir melhorias ao nível da rede elétrica nacional que permitam uma distribuição, gestão e armazenamento de forma que a energia gerada esteja disponível a todos.

Aliado ao contexto de mudança e potencial do país para a geração renovável, existem ainda duas grandes tendências atuais que fortalecem a necessidade da eletrificação:

  • A eletrificação dos veículos de transporte que começa a emergir, substituindo os combustíveis fósseis. O relatório Global EV Outlook 2025 da Agência Internacional de Energia (AIE) indica que os veículos elétricos são a tecnologia-chave para descarbonizar o transporte rodoviário, responsável por cerca de 15% das emissões globais de energia. De acordo com a AIE, em 2024, as vendas europeias de carros elétricos BEV (Battery Electric Vehicle) rondaram os 2,2 milhões. A previsão global de vendas de carros elétricos para 2025 é superar 20 milhões de unidades, o que corresponde a mais de um quarto das vendas mundiais. Esta tendência é considerada essencial para alinhar as emissões com o cenário de Net Zero até 2050, previsto no relatório “Net Zero by 2050, A Roadmap for the Global Energy Sector” elaborado pela AIE.
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  • A necessidade generalizada da existência de sistemas de climatização para aquecimento e arrefecimento nos nossos edifícios, para o nosso conforto, num clima cada vez mais extremo, derivado das alterações climáticas. O World Energy Outlook 2024 da AIE destaca que eventos climáticos extremos, intensificados pelas alterações climáticas, estão a aumentar a procura por sistemas de aquecimento e arrefecimento. O referido documento refere que o setor dos edifícios já representa 34% da procura global de energia e 37% das emissões de CO2 relacionadas à energia. Segundo a AIE, na Europa, a percentagem de habitações com equipamentos de ar condicionado é relativamente baixa, apenas 20%, sendo que o seu crescimento futuro terá um grande impacto nos consumos de energia. Deste modo, a eficiência energética e a eletrificação dos sistemas HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) são cruciais para reduzir emissões e garantir conforto térmico num clima cada vez mais instável.

No campo dos edifícios residenciais, a tendência de eletrificação não é diferente, sendo que existem diversos sistemas e/ou equipamentos enquadrados neste âmbito, tais como:

  • Painéis fotovoltaicos para a produção de energia elétrica que pode ser utilizada por todos os aparelhos elétricos das casas, bem como para carregar veículos;
  • Sistemas de climatização para aquecimento e arrefecimento dos espaços interiores, tais como as unidades de ar condicionado que utilizam bombas de calor (mais eficientes) alimentadas a eletricidade;
  • Bombas de calor para a produção de águas quentes sanitárias, que possuem elevada eficiência decorrente do uso dos princípios da aerotermia, e que podem substituir esquentadores ou caldeiras a gás (natural ou de botija) que, além de menos eficientes, são aparelhos que queimam o gás e, por isso, são emissores locais de gases com efeito de estufa;
  • Eletrodomésticos do tipo placas de indução e fornos elétricos, que podem substituir as placas e fornos a gás, proporcionando mais economia energética e mais segurança. 
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Embora sejam sistemas renováveis, os sistemas fotovoltaicos apenas produzem energia nas horas de sol, sendo importante existir um sistema de armazenamento de energia para possibilitar o consumo nas horas em que não há produção. Neste âmbito, surge a solução das baterias para armazenamento da energia produzida em excesso pelos painéis fotovoltaicos, para posterior uso em horas nas quais não há luz solar.

Assiste-se, assim, à criação de todo um novo ecossistema de produção, distribuição, armazenamento e consumo de eletricidade. Esta mudança de paradigma vem com pontos positivos e desafios.

Destacam-se os seguintes pontos positivos:

  • Maior independência energética de Portugal, reduzindo fortemente a necessidade de importar produtos energéticos de outros países, criando assim um mercado de energia mais robusto e imune a choques de preços petrolíferos e de gás;
  • Redução drástica na emissão de gases com efeitos de estufa e poluentes para a atmosfera, protegendo o planeta e a qualidade do ar;
  • Maior eficiência energética, permitindo à população ter mais poupança económica nos seus consumos.

Como desafios a que importa dar resposta, destacam-se:

  • A necessidade de efetuar melhorias no sistema da rede elétrica nacional e dos próprios edifícios e frações, para que sejam compatíveis com o aumento da potência elétrica necessária, o que vai acarretar custos, prazos de execução e recursos humanos especializados;
  • A dependência de fenómenos naturais para a produção de energia renovável, tais como o vento, a luz solar e recursos hídricos, que nem sempre estão disponíveis devido a dias com menos vento, ao ciclo noite/dia e a secas;
  • O desenvolvimento dos sistemas de armazenamento de eletricidade, pois sem a capacidade de armazenamento, não será possível ter um sistema estável e redundante.

À medida que as tecnologias evoluem, criam-se incrementos na eficiência e na produção da eletricidade em simultâneo, levando-nos a um futuro mais sustentável e confortável em que todos os equipamentos de que necessitamos podem vir a ser alimentados a eletricidade.

Igualmente importante é que os consumidores saibam como chegar aos fornecedores e instaladores destes sistemas e produtos, e que tenham confiança ao lidar com entidades reconhecidas, credíveis e qualificadas. Neste contexto, surgem as one-stop-shops, como o portal casA+ da ADENE, que reúne num só local as empresas, quer sejam fornecedores ou instaladores. Com os critérios de segurança a que a adesão ao portal por parte das empresas está sujeita, pelo cumprimento de critérios técnicos e administrativos definidos nas regras de admissão, garante-se maior confiança e qualidade na oferta apresentada aos consumidores.

Para os utilizadores

O portal casA+ oferece duas formas principais de contacto com as empresas:

  • Via área reservada: de forma ágil e direta, os consumidores podem associar o Certificado Energético (CE) do imóvel e solicitar orçamentos para as medidas de melhoria nele identificadas, ou outras que tenham sido sugeridas pelo próprio portal ou pelo consumidor.
  • Via diretório de empresas: permite ao consumidor entrar em contacto direto com aquelas que considerar mais adequadas às suas necessidades.

Adicionalmente, o consumidor pode, através do portal casA+, solicitar o apoio técnico de Peritos Qualificados, que poderão acompanhar as intervenções no imóvel, garantindo que as medidas de melhoria são corretamente implementadas. Estes profissionais têm também a capacidade de emitir um novo CE ou atualizar o existente, caso se verifique que houve alterações significativas no mesmo ou que o consumidor pretende explorar formas adicionais de melhorar o desempenho energético da sua habitação.

Existe ainda a Rede Espaço Energia, com balcões por todo o país para atendimento presencial e de proximidade, podendo o mesmo ser agendado na página online. Nesta plataforma, os cidadãos podem pesquisar os balcões mais próximos e quais os serviços de que dispõem, bem como efetuar agendamentos de apoio presencial, telefónico ou via videochamada com um Técnico Espaço Energia, devidamente capacitado para os apoiar.

De entre os principais serviços destacam-se:

  • Prestação de informações e apoio técnico, desde a interpretação das faturas de energia até à utilização sustentável da energia e direitos dos consumidores;
  • Aconselhamento, nomeadamente em matéria de aquisição de energia e equipamentos e soluções de eficiência energética e de energia renovável;
  • Avaliação energética das habitações e propostas de investimento com vista a aumentar o conforto térmico e a reduzir o valor das faturas de energia;
  • Orientação e aconselhamento sobre o acesso a incentivos e instrumentos de financiamento, públicos e privados, nacionais e locais.

O objetivo desta iniciativa é apoiar os cidadãos na preparação e implementação de medidas de eficiência energética e de aproveitamento de fontes de energia renovável, promovendo simultaneamente a adoção de comportamentos mais sustentáveis no uso da energia. Pretende-se, assim, promover a literacia energética — isto é, o conhecimento e a compreensão sobre como a energia é produzida, consumida e gerida — capacitando os cidadãos a fazerem escolhas mais conscientes e sustentáveis no seu dia a dia.

Num futuro cada vez mais verde, a eletrificação das habitações e a mobilidade elétrica assumem papéis fundamentais. Para que este caminho seja percorrido com confiança, é essencial que os cidadãos sejam orientados por entidades credíveis, capazes de fornecer informações fiáveis e de apoiar escolhas sustentáveis. A ADENE - Agência para a Energia continuará a apoiar os cidadãos neste caminho.

Francisco Palma, Técnico do Portal casA+ e CLASSE+ da ADENE
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