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Hotel de charme com alma franciscana

Alexandra Costa03/11/2022

De um convento do século XVI para um hotel da era moderna. O projeto de recuperação do Convento do Seixo durou apenas 18 meses e conseguiu dar uma nova vida a um edifício que estava em completa ruína. Numa altura em que se descobrem novas tecnologias na utilização do calcário, aliado à espessura das paredes originais, voltou a funcionar como forma de climatizar o edifício.

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Datado do século XVI, o convento foi habitado por franciscanos que asseguraram a sua manutenção.

A história da recuperação do Convento do Seixo tem uma origem engraçada. A empresa proprietária – Origens Lendárias – tem uma ampla experiência na recuperação de edifícios no centro histórico de Lisboa. E tudo começou porque a empresa quis diversificar o negócio e entrar no mundo da hotelaria. E foram ter ao Fundão. Começaram com o conceito de casa de campo – a Cerca Design House – e depois avançaram para o hotel – o Convento do Seixo.

Quando tomaram posse, o edifício estava muito degradado. Como lembra Marília Hilário, diretora do hotel, o edifício tinha sido dominado pelas silvas, não havia telhado, algumas das partes já não estavam inteiras. O arco da igreja, por exemplo, que foi reaproveitado e serve de divisória entre o bar e o restaurante, foi reconstruído. Duas pedras foram criadas especificamente para o espaço que faltava e foram enterradas para tentar ter uma tonalidade semelhante, na medida do possível, às existentes. Quanto à fachada, parte de dela foi reposta, mas “em novo”, de acordo com as fotografias que existiam. Documentação importante, dado que parte da fachada tinha desaparecido.

Quando um edifício deixa de ser habitado, não só se degrada mais rapidamente como passa a ser fonte de material para outras construções à volta. E foi o que aconteceu com o convento do Seixo. Dos cerca de 300 metros de canais de água em pedra restam, hoje, apenas alguns vestígios.

Datado do século XVI, o convento foi habitado por franciscanos que asseguraram a sua manutenção. Com a expulsão das ordens religiosas, o seu destino mudou. Até que foi parar às mãos de uma família que, há umas décadas, o vendeu. Foi nessa altura, em que deixou de ser habitado, que começou o declínio.

Este foi um projeto de recuperação. A única área que foi criada de raiz, esclarece Marília Hilário, foram as vilas. O hotel em si está, todo ele, em espaço do antigo convento.

Quando um edifício deixa de ser habitado, não só se degrada mais rapidamente como passa a ser fonte de material para outras construções à volta. E foi o que aconteceu com o convento do Seixo. Dos cerca de 300 metros de canais de água em pedra restam, hoje, apenas alguns vestígios

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Poder-se-ia pensar que seria complicado adaptar um edifício com cinco séculos para as necessidades dos dias de hoje (insonorização, climatização, ...) curiosamente as paredes de pedra, e com a grossura em causa, foram de grande ajuda. A maior dificuldade acabou por ser a adaptação da funcionalidade anterior para a atual. Transformar o que antes eram pequenas celas de frades em quartos. A decisão passou por usar várias celas para um mesmo quarto. E, sempre que necessário, mover paredes. Ou seja, retirar pedra a pedra e depois voltar a montar, como se de um puzzle se tratasse, noutro local. “Aproveitou-se tudo o que se podia aproveitar, de pedras que existiam”, revela a diretora do hotel.

Adicionalmente, tentou-se preservar aquilo a que se chama de “alma” do edifício. Uma dobradiça, um pedaço de madeira de uma janela, ... pequenos testemunhos de toda uma história. O mesmo cuidado que se teve na arquitetura geral do edifício. Na recuperação do convento estiveram envolvidas duas equipas de arquitetos, o arquiteto Roquete que trabalha habitualmente com a Origens Lendárias, e um gabinete da região, que estivesse familiarizado com a história.

A envolvência com a região foi para além do gabinete de arquitetura. Com exceção de um ou outro fornecedor, todas as empresas envolvidas na recuperação do convento foram da região.

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Uma obra que “nasceu” em apenas 18 meses

Foi talvez essa proximidade, a par de toda a experiência da Origens Lendárias na recuperação de edifícios, que fez com que todo o projeto levasse apenas 18 meses a estar concluído. Sendo que, a par da construção, o espaço foi também “inspecionado” por equipas de arqueologia do Fundão e de Coimbra. A diferença – face a outros projetos onde o prazo se arrasta – explica Marília Hilário, foi que houve uma boa coordenação entre equipas. A arqueologia iniciou os trabalhos no interior do edifício e a de construção optou pelo exterior. Sempre que os arqueólogos davam luz verde para determinada área, as obras avançavam nesse espaço. Desta forma, todos conseguiram estar a trabalhar, em simultâneo, no terreno sem condicionar o trabalho uns dos outros.

Sobre as chamadas “necessidades” atuais – diga-se eletricidade, água canalizada, aquecimento... - sempre que possível optou-se pela solução subterrânea. Quando isso foi possível, aproveitou-se o revestir das paredes e “afundou-se” só um pouco, por forma a conseguir manter a parede original.

Uma das soluções passou por levantar o chão – mesmo porque este teve de ser nivelado, e aproveitar para colocar as utilities necessárias. Tudo para evitar partir pedra, dado que isso “danifica um bocadinho de história”.

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O cuidado de preservar a história levou, também, a algumas diferenciações nalguns dos espaços. Por exemplo, o quarto que antigamente abrigava a biblioteca tem as janelas um pouco mais altas porque a luz não podia incidir diretamente sobre os livros. Aliás, o hotel não tem dois quartos iguais, precisamente devido a essa adaptação.

Inicialmente, a propriedade foi adquirida pela Câmara Municipal do Fundão, que tomou essa decisão para evitar mais degradação e para evitar “que se instalasse aqui um projeto que não preservasse a identidade do espaço”, explica Marília Hilário, que acrescenta que ao ver o que a empresa tinha feito na Casa da Cerca, ao receber a proposta, esta foi aceite. Porque o importante era “manter a identidade do edifício”.

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