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Tecnologia para poupar água

José Pedro Salema | Presidente do Conselho de Administração da EDIA08/11/2022
A água é um dos fatores de produção mais importantes na agricultura portuguesa. No nosso clima mediterrânico, quando as temperaturas sobem, a radiação solar é maior e as plantas precisam de mais água para atingir o máximo desenvolvimento, a precipitação é praticamente inexistente. Quando as plantas mais precisam de água, a natureza não a dá.
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A associação do fotovoltaico ao regadio é particularmente feliz pelo bom ajuste da produção com o consumo.

É por este motivo que o regadio é crucial em Portugal. Apesar de termos disponibilidades médias anuais de água perfeitamente suficientes, temos um problema de desfasamento entre o momento da disponibilidade e da necessidade de água ao longo do ano. Acresce ainda que a irregularidade, ao longo do ano e de ano para ano, é também uma caraterística do nosso clima que se agravará em contexto de alterações climáticas.
Agricultores e investidores, quando atualmente equacionam novos projetos, exigem água, pois as áreas de regadio permitem produções e rendimentos das culturas dramaticamente superiores, tipicamente de uma ordem de grandeza superior ao sequeiro.
Temos assistido nos últimos anos a uma dinâmica de investimento sem paralelo nos aproveitamentos hidroagrícolas públicos com maior capacidade de regularização hídrica intra-anual e, especialmente, inter-anual pela maior garantia de abastecimento que permitem.
É neste contexto que a eficiência ganha preponderância no regadio, onde seguramente ainda haverá muito que fazer. É óbvio que temos de reduzir ao máximo as perdas de água e que temos de utilizar a energia com a máxima parcimónia, recorrendo aos equipamentos e técnicas mais eficientes.
A distribuição de água tradicionalmente estava completamente dependente da gravidade e recorria a canais abertos com derivações e aberturas nos trajetos para chegar às terras a regar. Existem ainda muitos sistemas assim onde a determinação de volumes é ainda, em muitos casos, feita apenas por estimativa.
De modo muito simplista, para o regadio coletivo ser hidricamente eficiente precisa de distribuir água em tubos fechados, medir volumes em todos os pontos de captação, de importantes derivações e em todos locais consumo.

De modo muito simplista, para o regadio coletivo ser hidricamente eficiente precisa de distribuir água em tubos fechados, medir volumes em todos os pontos de captação, de importantes derivações e em todos locais consumo

Não há qualquer limitação tecnológica neste âmbito - existe hoje um vasto portefólio de equipamentos para a medição de caudais e volumes que inclui, para além dos contadores mecânicos (em que o fluxo faz girar uma turbina), as tecnologias ultrassónica e eletromagnética.

O registo e comunicação da medição à distância é também possível graças a dataloggers e a redes de transmissão com fios ou apoiadas em sistemas rádio específicos ou de acesso universal como o GSM (desde a 2ª geração com SMS até ao mais recente NB-IoT).

No sistema de Alqueva existem atualmente mais de 1400 dataloggers instalados e a comunicar diariamente consumos. Uma parte destes equipamentos permite, além da comunicação em tempo real do consumo e da pressão, o controlo remoto (com a abertura e fecho) dos pontos de entrega de água. Também nas estações elevatórias e todos os órgãos ativos da rega é possível esta telegestão com total segurança e enorme eficiência.

Nas redes terciárias, na aplicação de água na parcela, também a tecnologia pode trazer enormes ganhos de eficiência. A precisão desta aplicação aumentou enormemente com generalização da tecnologia gota-a-gota mas hoje podemos ir ainda mais longe com tubos enterrados, evitando a evaporação à superfície. A decisão do momento e da quantidade de rega apoiada em estações meteorológicas locais e em sondas de medição de humidade no solo já hoje fazem toda a diferença no uso criterioso e regrado do recurso água.

Uma vez que a distribuição de água pressurizada acarreta habitualmente consumos energéticos relevantes, é necessário incluir também este tema na eficiência dos sistemas. No passado recorríamos aos elementos ou à força animal para acionar os engenhos que permitiam a elevação da água e depois à gravidade para a distribuir, mas hoje é a energia elétrica que garante o funcionamento dos sistemas, desde os grupos de bombagem aos cada mais sofisticados sistemas de monitorização.

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José Pedro Salema, Presidente do Conselho de Administração da EDIA.

Mudança para  renováveis é economicamente vantajosa

Em Alqueva, resultado da necessidade de elevação média de 140 metros, os custos energéticos são determinantes já que correspondem ao consumo de aproximadamente 0,5 kWh de eletricidade por cada metro cúbico entregue.

Por outro lado, a humanidade está confrontada com a necessidade de descarbonizar todas as suas atividades para garantir a sua sobrevivência no planeta. Em poucos anos, e quanto mais rápido melhor, todas as empresas e todas as famílias terão de ter uma pegada carbónica nula.

A boa noticia é que a mudança para energias renováveis é economicamente vantajosa. Hoje já existem muitas situações em que a introdução de sistemas fotovoltaicos ou eólicos é mais económica que a tradicional ligação à rede elétrica, mesmo sem contabilizar as poupanças nos encargos mensais.

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Mudança das energias fósseis para as renováveis é economicamente vantajosa, mesmo sem contabilizar as vantagens ambientais.

A associação do fotovoltaico ao regadio é particularmente feliz pelo ajuste da curva de produção anual com a evolução das necessidades de consumo energético. O nosso país tem excelentes condições para a produção solar e existem muitas áreas marginais que podem ser mobilizadas para esta função.

Os sistemas de armazenamento de energia que tornam possível a alimentação constante a partir de fontes intermitentes, como a fotovoltaica, estão a evoluir muito depressa. A tendência de descida de preço é muito significativa, com uma queda de 90% entre 2010 e 2020 nas baterias de iões de lítio.

Se ao imperativo civilizacional da descarbonização se soma a recente escalada e enorme volatilidade dos preços de mercado da eletricidade, então a resposta só pode ser uma - a distribuição de água tem de progredir no sentido da independência energética, depois de evoluir o máximo possível na senda da eficiência, conhecendo necessidades e imaginando como os recursos energéticos locais as poderão satisfazer integralmente.

Sabemos que as alterações climáticas, a par do crescimento populacional mundial, aumentarão a pressão sobre os sistemas hidroagrícolas mas as poupanças por incremento da eficiência hídrica com apoio tecnológico podem-lhes trazer equilíbrio. Sabemos que temos de deixar de queimar combustíveis fósseis e que a mudança para a eletricidade renovável trará ainda enormes reduções de custos, uma melhoria das condições de trabalho e um aumento da qualidade de vida. De que é que estamos à espera?

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