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A importância da Gestão Técnica Centralizada na sustentabilidade dos edifícios

Matthew Gonçalves | Técnico da Direção de Sistemas de Gestão e Certificação da ADENE17/10/2022
A mais recente crise energética na União Europeia (UE), desencadeada pela guerra na Ucrânia e agravada recentemente com a interrupção indefinida do fluxo de gás natural no gasoduto Nord Stream 1, resultou num incremento do preço deste combustível em cerca de 25%, aumentando a pressão nos já inflacionados preços da energia e na segurança do aprovisionamento na UE.
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Na UE os edifícios são responsáveis por 40% do consumo energia.
Devemos olhar para estes tempos de instabilidade como uma oportunidade para acelerar a independência energética. É crucial, nesta fase, a adoção de fontes alternativas de produção de energia e o aumento da eficiência energética, com vista à redução efetiva do consumo de energia proveniente de combustíveis fósseis.
Se lembrarmos que na UE os edifícios são responsáveis por 40% do consumo energia, fica evidente a importância da mitigação das necessidades energéticas deste setor. Deste modo é essencial implementar uma renovação profunda do edificado que permita melhorar o seu desempenho energético e atingir o compromisso nacional da neutralidade carbónica da forma mais expedita possível, sem descurar o conforto térmico ou a qualidade do ar interior.

Obrigatoriedade de instalar SACE

A Diretiva Europeia relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) transposta para a ordem jurídica nacional através do Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro, torna obrigatória, entre outras medidas, a instalação de Sistemas de Automatização e Controlo dos Edifícios (SACE), para todos os edifícios de comércio e serviços existentes, que tenham uma potência nominal global igual ou superior a 290 kW, devendo esta obrigação ser cumprida até 31 de dezembro de 2025.

Além dos edifícios de comércio e serviços existentes, a legislação traz também novidades no que refere à conceção de edifícios novos e às renovações em SACE já instalados. Para potências iguais ou superiores a 100 kW os edifícios têm de prever sistemas de gestão técnica (GT) e, para potências iguais ou superiores a 290 kW, sistemas de gestão técnica centralizada (GTC).

Sistemas de Gestão Técnica Centralizada

O GTC é um sistema mais completo, que engloba todas as funcionalidades de uma GT e permite ainda a gestão de instalações técnicas complementadas com pelo menos uma interface com o utilizador. Este deve possuir a capacidade de comunicação entre os diversos sistemas técnicos e equipamentos do edifício, ter a capacidade de monitorizar e quantificar consumos de energia de forma segmentada e ser dotado de uma base de dados com os registos históricos de consumos, temperaturas e tempos de funcionamento de equipamentos. Mas o conceito de edifícios inteligentes vai mais além, permitindo a agregação e a partilha de dados mais abrangente, suportada por um GTC conectada em rede a dispositivos IoT (Internet of Things).

Os imperativos legais obrigam os GTC, instalados até 31 de dezembro de 2024, a possuir uma classe de eficiência energética B, sendo aumentada a exigência para uma classe A quando instalados após essa data

Os imperativos legais obrigam os GTC, instalados até 31 de dezembro de 2024, a possuir uma classe de eficiência energética B, sendo aumentada a exigência para uma classe A quando instalados após essa data. A determinação da classe de eficiência energética, responsabilidade do técnico autor do projeto de GTC, deve ser concordante com o previsto na Norma EN 15232.

Estes sistemas estão igualmente sujeitos a requisitos de instalação e testes de ajustamento adequado. Desta forma os técnicos habilitados garantem que os mesmos estão devidamente adaptados às necessidades do edifício e a operar na sua plenitude.

Paralelamente, a existência de um GTC pode ainda dispensar os edifícios das obrigações de inspeções aos sistemas de climatização e água quente, desde que eles próprios sejam alvo de inspeção, com cumprimento de determinadas condições, a cada quatro anos.

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Qual a redução de energia num edifício com a instalação de um GTC com classe A?

Tendo como primeiro exemplo um edifício de comércio e serviços com a tipologia de hotel de 4 ou mais estrelas com consumo de energia final 8 164 MWh/ano e que implemente um GTC com classe de eficiência energética A, cumprindo com o preconizado na Norma EN 15232, o hotel pode atingir uma poupança anual de até 2 122 MWh/ano, o que representa uma redução do consumo de energia na ordem dos 26%.

Considerando num segundo exemplo um edifício de comércio e serviços com a tipologia de Hipermercado, com um consumo de energia final de 793 MWh/ano e implementando igualmente um GTC com classe de eficiência energética A, pode ser atingida uma poupança de até 74 MWh/ano, permitindo uma redução do consumo de energia de aproximadamente 9,3%.

Com os exemplos anteriormente referidos, fica evidente a importância dos GTC na renovação e conceção dos edifícios. Esta importância na instalação de um sistema GTC é igualmente evidenciada num dos eixos de atuação da Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios (ELPRE), que prevê um investimento em SACE, a realizar até 2050, de 5,5 mil milhões de euros, fundamentais para a operacionalização de edifícios mais inteligentes e com necessidades quase nulas de energia.

Em suma, além das vantagens na melhoria da eficiência energética dos edifícios, da otimização processual e de resolução de patologias dos sistemas técnicos, os novos GTC preveem os edifícios altamente conectados numa plataforma única, permitindo o edifício comunicar entre si e com os próprios utilizadores, melhorando assim a experiência no seu uso, no conforto, no bem-estar, na produtividade e salubridade dos mesmos.

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