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Informação profissional do setor das instalações em Portugal

Em altura Prevenção e Engenho [10]

Manuel Martinho | Engenheiro de Segurança no Trabalho18/04/2022
Continuação do número anterior.

Nota prévia: quando assistimos à destruição massiva de um país numa guerra de motivação fútil, na nossa pluralidade democrática, valorizamos quem resiste e luta pela dignidade do seu destino.

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Redes de segurança.

Depois dos meios de proteção abordados nos artigos anteriores para execução de trabalhos em altura, e antes dos temas proteção ativa individual e o método de acesso por corda, vulgarmente conhecidos por trabalhos verticais ou alpinismo industrial que mais à frente tratarei, abordo nestes próximos números ainda os meios de proteção passiva para quedas em altura, como as redes de segurança e os guarda-corpos de proteção.

De entre os meios que podem servir para impedir que um evento ocorra, bloquear ou atenuar o impacto das suas consequências, se vier a ocorrer, temos as redes de segurança e os guarda corpos.

Ao caraterizarem-se pela retenção de queda, que não impedem, mas minimizam as suas consequências, controlando as energias, forças e deslocamentos gerados pela queda, revelam-se adequadas, como meios de proteção coletiva no modo de preservar a integridade física do trabalhador, sendo conformes com os princípios de prevenção de quedas relacionadas ao trabalho temporário em altura, quando outros dispositivos de prevenção e proteção coletiva no plano de trabalho não podem ser implementados.

As redes de segurança podem utilizar-se nos diversos setores de atividade na indústria, na agricultura, em atividades marítimas, no desporto e lazer ou em casa e jardim, têm múltiplas aplicações no âmbito privado ou profissional como meio para evitar quedas de pessoas e materiais de um nível superior, isto é, em altura, mas também quando se necessita de vedar e impedir a passagem de local a outro ou como meio de retenção de objetos ou captura.

Nas atividades de construção civil, como execução de estruturas, substituição ou reparação de coberturas e colocação dos tão conhecidos e populares painéis 'sandwich', caixilharias, e na indústria, para as proteções em estantes de armazenamento de mercadorias e no transporte destas, onde o risco de queda, seja possível causar danos pessoais e materiais, são exemplos de utilização.

Caraterizando as redes, verificamos que são constituídas por uma malha de cordas de fibras sintéticas ligados por nós formando quadrados ou losangos, num conjunto elástico, confinado no seu perímetro por uma corda (perimetral) que passa ponto a ponto nas extremidades da rede e recebe os dispositivos de amarração ou ancoragem a uma estrutura de suporte que contribui para a absorção da energia cinética da queda e que se designa por corda perimetral.

Sistemas de redes de segurança

Com a norma EN 1263 estabelecem-se os normativos como condições técnicas a observar pelo fabricante na produção que vai desde a produção dos fios ao acabamento da rede e até mesmo a produção das cordas perimetrais de segurança, e instalação, subdividindo-se em duas partes:

i. EN 1263-1 – Parte 1 - Requisitos de segurança dos métodos de ensaios das redes de segurança;

ii. EN 1263-2 – Parte 2 - Requisitos de segurança na instalação.

Quanto às caraterísticas a norma EN 1263-1, define quatro sistemas para redes de segurança:

a) Sistema S - rede com corda periférica para proteção horizontal, projetada para ser esticada horizontalmente ou próximo à horizontal com recurso a cordas de amarração, ancoragem, cabos de aço e acessórios de tensionamento (esticadores e mosquetões). Podem ser instaladas na montagem de coberturas de naves industriais em construções com estruturas metálicas, de madeira, pré-fabricados e acabamento de pontes e viadutos etc.

b) Sistema T - rede inclinada com corda perimetral fixada em suportes para uso horizontal em consola, simples ou articulados colocados na bordadura da edificação por mordaças e/ou chumbadouros. A sua função em bandeja visa amortecer o impacto e a recolha sobre a rede as pessoas ou objetos que caiam em altura.

c) Sistema V - rede de segurança suspensa verticalmente, com corda perimetral fixa em suportes tipo forca visa a recolha de pessoas ou objetos que se precipitem do piso de trabalho, fechando completamente o perímetro de trabalho. Utiliza-se como proteção vertical na construção de estruturas.

d) Sistema U – Rede ligada a uma estrutura de suporte para uso vertical fechando completamente o perímetro do vão, para impedir quedas da área de trabalho ou trânsito onde está colocada. São usadas para proteger pisos, escadas, perímetros de edifícios industriais, escavações, etc.

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Sistemas de redes de proteção.

Requisitos mínimos de segurança

Neste âmbito, no fabrico as redes devem respeitar os requisitos de segurança de carga de rotura à tração, resistência estática e dinâmica, os quais devem ser sempre verificados por metodologia de ensaio de carga de rutura das cordas perimetrais, ensaio de carga de rutura da malha da rede, ensaio de envelhecimento natural, ensaio de envelhecimento funcional, verificação de dimensões da rede, ensaio estático de resistência e ensaio dinâmico da resistência da rede.

Segundo a energia, tamanho e geometria da malha, em quadrado ou losango, as redes de segurança podem ser:

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Tipo de malha das redes e energia de rotura (kJ) - Norma 1263-1.

A norma EN 1263-1 estabelece que as redes de segurança devem possuir uma etiqueta de identificação em bom estado de visibilidade e não removível, com os dados do fabricante ou importador (Nome e/ou logotipo), número de registo, data de fabrico, informação de quem é a entidade certificadora independente, norma aplicável (EN 1263-1) sistema de rede (S;T;U;V), absorção energia mínima das malhas de teste ou categoria de rede (A1;A2;B1;B2) em que “A” significa a energia de rotura E, o algarismo (2) a malha da rede (lm≤100mm), dimensão do painel e validade.

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Rede de Segurança - Etiquetagem.

Deverão ser acompanhadas de manual de instruções ou ficha técnica de produto no idioma do utilizador, com informações de:

i. Resistência e estabilidade necessária da estrutura base de ancoragem de modo a proporcionar rigidez adequada ao sistema e garantir que as forças transmitidas às estruturas portantes são suficientemente absorvidas;

ii. Altura máxima de queda;

iii. Largura mínima;

iv. Metodologia de montagem da rede;

v. Distância mínima sob a rede;

Bem como informação sobre:

i. Requisitos de acondicionamento e armazenagem;

ii. Plano de Manutenção;

iii. Inspeção, ensaios e registos periódicos de verificação das condições de todos os elementos de pontos de fixação;

iv. Condições de retirada de serviço;

v. Outras informações do fabricante especificas do fabrico e colocação em serviço, como por exemplo, condições do local, condições atmosféricas mínimas de utilização ou outros.

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Redes de segurança em consola.

Avaliação de riscos e projeto

Como se depreende, é elemento fundamental a avaliação de riscos que dê suporte a um projeto com o estudo de colocação das redes.

Este documento pode e deve consubstanciar-se num plano específico para risco especial de trabalhos em altura com utilização de redes de segurança onde se equacionará a atividade a levar a cabo, as condições do local, a extensão da rede, os fatores de risco, as opções sobre o modelo e tipo de rede de segurança mais adequada, justificação sobre a solução feita.

Para montagem e suas fases, se for o caso, deverão ser atendidas as especificações da norma EN 1263-2.

i. Projeto de Instalação do Sistema, que contempla as peças escritas e desenhadas necessárias à compreensão do sistema escolhido;

ii. Documentação aplicável, ficha técnica ou manual do produto, certificações do Sistema, testes dos elementos de fixação às estruturas de suporte (ancoragens), relatórios de testes, etc.;

iii. Avaliação de riscos, medidas preventivas e equipamentos apropriados para o serviço (proteção individual);

iv. Procedimento Operacional de Instalação, Manutenção e Retirada;

v. Equipa responsável pelo procedimento e execução e aptidões para a implementação do procedimento;

vi. Plano para resposta a situações de emergências e resgate e equipa responsável;

vii. A aplicação de técnicas e materiais adequados ao processo de montagem, desmontagem e remontagem;

No caso de redes projetadas por 'sistema T' em edifícios de grande altura com diversos pisos, o plano deve equacionar estabelecer a necessidade de colocar redes principias e secundárias, quais e onde se instalam.

Havendo pisos recuados acima do piso de referência, deve ser estudada a distância de recuo, e em que condições este poderá constituir-se como plataforma de proteção.

Por outro lado, havendo risco de queda de materiais em edificações vizinhas ou passeios de arruamentos, devem adotar-se medidas de controlo específicas, por utilização de plataformas terciárias rígidas para retenção de materiais e ferramentas, construídas de forma a resistir aos impactos da queda destes, sem que a sobrecarga exceda a capacidade resistente calculada.

Na instalação das redes, e na sequência de montagem (ascendente) e desmontagem (descendente), dependem recursos auxiliares como plataformas elevatórias, andaimes etc. que deverão integrar o Plano de Segurança e Saúde (PSS), no qual constarão os requisitos de formação, conhecimento e aptidão física dos trabalhadores para a execução.

Há que ter em conta a deformação da rede de segurança, em função das tensões exercidas, para garantir que o trabalhador não atinja o solo em caso de queda, para tal o estudo da deformação admitida para a rede de segurança.

A capacidade de absorção de energia (W) baseia-se no modelo de queda livre de um corpo com Xkg de massa (m), de uma altura (h’) de 6,00m (desnível máximo permitido), sem que a flecha média (h’’) da rede aquando do impacto seja superior a 1,80m e centro de gravidade 1,00m acima (h’’’) do piso de queda, o que corresponde à seguinte expressão:

W = m.g.h (∑ h’+h’’+h’’’) = Xkg.9,81m/s².(1,00+6,00+1,80m)

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Exemplo de absorção de queda em altura.

Montagem, desmontagem, remontagem e uso de redes de segurança

Os requisitos de segurança para a montagem das redes terão que atender às Normas EN 1263-1 e EN 1263-2.

Como vimos, as redes de segurança devem possuir energia de absorção mínima de 2,3 kJ.

Os elementos de fixação devem ser estruturais, de preferência metálicos, com intervalos de ancoragem estabelecidas pelo projeto em função dos requisitos para a rede adotada (cada ponto de ancoragem deve ser calculado a partir de uma solicitação de pelo menos 6 kN para um ângulo de 45°).

A corda perimetral tem como objetivo configurar as dimensões da rede bem como a construção deve estar cosida com a malha externa da rede. Já a corda de união tem como função unir as redes e deve ter resistência mínima à tração de 7,5kN, por malha e nó a cada 50 cm, no máximo.

A validade que as entidades de certificação indicam nas redes de segurança tem o prazo mais usual de um ano após a data de fabricação.

Após esse período, é preciso retirar uma das três amostras, que acompanham uma rede certificada, e enviá-las para o fabricante, a fim de serem feitos novos ensaios que garantam que as suas especificações estão de acordo com as normas EN 1263-1, 1263-2 e ISO 2307.

A colocação de tecidos sobre a rede, que impeçam a queda de pequenos objetos, só deve ser considerada, desde que prevista no projeto e fabricante.

A corda perimetral deve passar por cada malha no perímetro da rede, quer a malha seja costurada ou não.

A montagem entre as extremidades de uma corda deve ser protegida contra qualquer afrouxamento intempestivo, podendo tal por exemplo ser feito por emenda.

As extremidades da rede e de todas as cordas utilizadas nas redes de segurança devem ser protegidas contra desgaste.

Tanto na montagem como na utilização não devem ser ultrapassadas as alturas de queda verticais e laterais possíveis do local de trabalho, bem como as distâncias entre os pontos de fixação da rede e os valores de deformação máxima da rede prescritas.

As redes devem ser montadas o mais próximo possível da estrutura (por baixo desta).

Na utilização, as redes de segurança são usadas para amparar os trabalhadores que caem durante o trabalho, devendo ser usadas sob aberturas em edificações e locais com uma inclinação muito acentuada, por exemplo, em coberturas ou sob de locais com um suporte inseguro.

A instalação de redes de segurança deve ser reservada exclusivamente para pessoal especialmente formado e treinado para este fim.

As redes de segurança de construção nunca devem ser usadas para outros fins que não os descritos acima, sendo proibido modificá-las ou adaptá-las redes sem autorização expressa do fabricante.

É proibido lançar resíduos e materiais de construção nas redes de segurança anti-quedas para pessoas.

Antes e depois de cada uso, o responsável pela montagem e desmontagem deve inspecionar cuidadosamente as fixações e suspensões.

Redes que apresentem defeitos (malhas danificadas, corda perimetrais desgastadas e outros defeitos ou desgastes que tenham sofrido por carga após a queda de uma pessoa ou objeto), devem ser imediatamente retiradas, só podendo ser reutilizados após verificação de requisitos do fabricante ou de outro especialista.

As reparações só devem ser efetuadas por pessoal especializado do fabricante.

Os pontos de ancoragem e as fixações devem ser verificados antes da montagem e depois regularmente durante a suspensão para garantir que atendem aos requisitos acima.

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Utilização dos vários sistemas de redes de proteção numa obra.

Continua no próximo número, com mais proteções para trabalhos em altura.

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