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É necessário “tratar o tema da transição energética de forma holística”

Ana Clara08/10/2021

O alerta parte de Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, e atualmente Diretor de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), na quarta sessão do ciclo de eventos ‘Energia em debate’, promovida pelos Future Energy Leaders Portugal (FEL.PT).

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A iniciativa, que teve lugar ao final da tarde de 30 de setembro, organizada pelos FEL.PT (media partner das Revistas O Instalador e Novoperfil) com o apoio da Associação Portuguesa de Energia (APE), centrou-se no debate sobre o tema da ‘Transição Energética & Geopolítica’.

O mote para a discussão partiu da necessidade de a crise climática exigir repensar do futuro da cooperação internacional, de forma a assegurar uma transição energética justa, que garanta o bem-estar coletivo, guiada por líderes responsáveis e inclusivos.

Os oradores convidados, Vasco Ferreira, Coordenador de política da União Europeia, Teresa Ponce Leão, Presidente do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG) e Jorge Moreira da Silva, Diretor da OCDE, foram unânimes quanto à necessidade de aumentar a cooperação entre países e regiões para materializar a ambição de uma transição energética segura, justa e sustentável.

Na sua intervenção, Jorge Moreira da Silva começou por deixar um alerta para a necessidade de "tratar o tema da transição energética de forma holística" dado que "existem diferenças significativas entre países quanto aos seus recursos endógenos e económicos". Lembrou que atualmente “existe um consenso global relativo à necessidade de incrementar os esforços na cooperação internacional para combater os efeitos das alterações climáticas e salienta a enorme oportunidade que a descarbonização introduz na sociedade para, de forma sustentável, criar riqueza social e económica”.

Neste sentido, Moreira da Silva destacou três grandes ameaças no combate às alterações climáticas:

  • a inconsistência entre o compromisso que os países assinaram, referindo-se à inconsistência entre o compromisso que os países assinaram nesse acordo e os reais resultados que se verificam, uma vez que atualmente já ultrapassamos o aumento de temperatura média do planeta em 1.2°C;
  • a escala temporal dos planos de neutralidade carbónica, que apontam para 2050 a sua total concretização, data que, na sua opinião, é desajustada e uma resposta tardia face à gravidade do problema que enfrentamos;
  • o risco de os países em vias de desenvolvimento não acompanharem a transição energética por enfrentarem, ainda, desafios de cariz social e económico como a pobreza extrema, com 1.000 milhões de pessoas sem acesso a eletricidade em países muito afetados pelas alterações climáticas.

“Acordo de Paris é a última oportunidade para enfrentar a mudança climática”

“Numa perspetiva de recuperação social e económica pós-pandemia, e com o alinhamento do desafio de lutar contra as desigualdades e as alterações climáticas", destaca "o enorme potencial na criação de emprego e oportunidades de crescimento sustentável da economia”.

Lembrou também que “o Acordo de Paris é a última oportunidade para enfrentar a mudança climática”, relembrando que até 2030, é necessário capacitar o mundo com quatro vezes mais renováveis, 18 vezes mais veículos elétricos e mais 4%/ano de investimento em eficiência energética”.

Jorge Moreira da Silva sugeriu ainda uma revisão das metas estabelecidas no Acordo de Paris com metas mais ambiciosas, propondo abolir os subsídios aos combustíveis fósseis, massificar a mobilidade elétrica e investir massivamente na eficiência energética em edifícios.

Conclui, alertando para o facto de o investimento e financiamento que “Portugal pode, e deve, captar para desenvolver o setor da energia” deve pautar-se por uma visão industrial, referindo “que é necessário o aumento da capacidade das interligações ibéricas, para que a exportação de energia solar e eólica para o centro da Europa seja uma realidade, atraindo investimento e ajudando esses países a descarbonizar a sua economia”.

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Oradores convidados: Jorge Moreira da Silva, Diretor da OCDE, Vasco Ferreira, Coordenador de política da União Europeia e Teresa Ponce Leão, Presidente do LNEG. 

Já Vasco Ferreira começou por reforçar a ambição da Comissão Europeia em concretizar o Pacto Ecológico Europeu para a área da energia e do clima, "que permitirá à Europa atingir a neutralidade carbónica em 2050".

O coordenador de política da União Europeia salientou que as medidas propostas no Pacto proporcionam uma oportunidade única para a Europa liderar a transição energética e permitem ao setor industrial europeu evoluir impactando em toda a cadeia de valor do setor da energia, dos transportes e da construção, prevendo a renovação de aproximadamente 35 milhões de edifícios e a criação de 160.000 empregos verdes e sustentáveis até 2030.

Relativamente à descarbonização do sistema energético europeu referiu que em dezembro deste ano é esperada uma proposta da Comissão para legislar a descarbonização das redes de gás natural. Terminou, salientando que a Europa pretende impulsionar e liderar a ação climática a nível mundial, apoiando financeiramente vários países e regiões para atingirem os seus objetivos climáticos no âmbito do Instrumento de Vizinhança, de Cooperação para o Desenvolvimento e de Cooperação Internacional.

“Implementar o conceito de circularidade em toda a cadeia de valor do setor energético”

Na sua intervenção, Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG, disse que os maiores desafios que o mundo enfrenta atualmente (as catástrofes climáticas e a pandemia global) "estavam previstas cientificamente, mas nenhuma ação preventiva foi considerada para minimizar os eventuais riscos", sendo agora "tempo de agir e refletir sobre os ensinamentos que essas crises trouxeram".

Adiantou que a recuperação da situação pandémica "deve ser uma oportunidade para recentrar o desenvolvimento do setor da energia em seis pilares: a circularidade, a eletrificação renovável dos consumos, a integração de gases renováveis no setor energético, o papel ativo do consumidor, a integração de infraestruturas para produção de hidrogénio verde e a digitalização.

Teresa Ponce de Leão realçou ser "necessário desafiar o status quo e implementar o conceito de circularidade em toda a cadeia de valor do setor energético". Alertou ainda para vários desafios geopolíticos que envolvem a União Europeia, como a subida dos preços de eletricidade nos mercados diários, a dificuldade da China em obter matérias-primas para satisfazer a produção interna e acrescenta o resultado do 'The Circularity Gap Report' que indica que estamos a reciclar apenas 8% dos nossos desperdícios.

Terminou, recordando que, no futuro, "é fundamental a integração dos diferentes recursos renováveis no sistema energético e que são necessárias alterações na regulação e exploração de novos serviços para acomodar uma transição energética inclusiva e justa". 

No futuro, "é fundamental a integração dos diferentes recursos renováveis no sistema energético e são necessárias alterações na regulação e exploração de novos serviços para acomodar uma transição energética inclusiva e justa", diz Teresa Ponce de Leão

Coube ao Presidente da Direção da Associação Portuguesa da Energia, Jorge Cruz Morais, a intervenção final na sessão de encerramento do evento. O responsável considerou que a sessão centrou-se "num desafio verdadeiramente global no sentido em que muitas ações terão de ser implementadas localmente e desenvolvidas transversalmente em todas as geografias, considerando naturalmente o contexto específico de cada situação".

"Estamos num processo em que dependemos todos de todos, um processo sem uma liderança conhecida e que se desenvolve graças à consciência do problema que enfrentamos, ao sentido de urgência e à disponibilidade de recursos de cada país e cada região. Neste processo, acredito que a liderança se faz pelo exemplo, o papel da Europa, dos Estados Unidos e, genericamente, os países da OCDE, será determinante no acelerar deste processo. […] Também s transição energética prossupõe apoio e solidariedade entre países e regiões, a contrapartida será o bem comum e um enorme conjunto de novas oportunidades de desenvolvimento económico, social e ambiental”, rematou Cruz Morais. 

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