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Artigo exclusivo Revista O Instalador

Três pilares para uma Transição Energética segura

Pedro Frade | Doutorado em Sistemas Sustentáveis de Energia, REN & Membro dos Future Energy Leaders Portugal

19/05/2021
As fontes de energia que abasteceram o nosso planeta até um passado recente estão a sofrer consideráveis modificações.
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As energias renováveis observaram profícuos avanços tecnológicos, tornando-se economicamente atrativas e crescentemente capazes de satisfazer as necessidades energéticas a uma escala global. Concomitantemente, as alterações climáticas são cada vez mais impactantes, pelo que urge continuar a apostar no processo de transição energética para fontes de energia sustentáveis.

O ano de 2016 foi marcante por, pela primeira vez, o subsetor elétrico se ter tornado o principal destino de investimento global no setor energético. Desde então, o investimento global em geração, redes e armazenamento de eletricidade tem vindo a superar os investimentos em petróleo e gás.

Não obstante, em 2020, a pandemia causada pela Covid-19 teve um impacto incomensurável em toda a Humanidade, e a viragem para uma nova década inicia-se com enormes e complexos desafios. A pandemia trouxe novas incertezas para o setor energético e são preponderantes questões como a sua duração e a permanência da sustentabilidade energética no foco dos decisores políticos aquando do relançamento das economias. Se, a longo prazo, não se perspetivam alterações na estratégia e no processo de transição energética, a curto/médio prazo, nomeadamente na primeira metade desta década, alguns objetivos à escala global poderão ter uma evolução mais modesta do que o expectável.
Contudo, os tempos conturbados que vivemos afiguram-se também como uma oportunidade para incutir alguma aceleração no processo de transição energética. No caso particular de Portugal, em 2021 irá observar-se uma considerável transformação no que ao setor elétrico diz respeito. São exemplos paradigmáticos desta mudança o encerramento da Central Termoelétrica de Sines – a maior central produtora de energia elétrica do país – ocorrido já em janeiro de 2021 e o muito provável encerramento da Central Termoelétrica do Pego em novembro próximo, as quais, conjuntamente, totalizam uma potência instalada superior a 1700 MW. Para o Operador do Sistema, a eletricidade produzida a partir do carvão deixa, assim e definitivamente, de fazer parte do portfólio disponível.

Em sentido contrário, perspetiva-se que em 2021 e 2022 entrem ao serviço cerca de 700 MW de capacidade instalada de produção fotovoltaica. Estes investimentos deverão continuar em 2023, aos quais, previsivelmente, se somarão os empreendimentos hidroelétricos de Daivões e Gouvães, com uma potência instalada ligeiramente inferior a 1000 MW, inseridos no sistema eletroprodutor do Tâmega, que tem a sua conclusão total prevista para 2024. A configuração do portfólio de produção de energia elétrica em Portugal sofre, assim, uma franca alteração, com a crescente preponderância da produção de origem renovável.

Se, no curto prazo, as mudanças observadas em Portugal e um pouco por toda a Europa não terão, globalmente, um impacto significativo na operação do sistema elétrico, com a continuidade do processo de transição energética, e mantendo-se o plano de investimentos europeu previsto até 2030, terão necessariamente de se observar alterações.

A plenitude e o sucesso da transição energética dependem da superação dos desafios que se avizinham. Para tal, o armazenamento de energia elétrica, o aumento da flexibilidade do consumo e um adequado desenho dos mecanismos de mercado - que se demonstre estruturante e agregador - são três pilares fundamentais.
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Pedro Frade.
Devido às variações constantes do consumo, o sistema elétrico sempre precisou de determinado grau de flexibilidade, pois o equilíbrio geração/carga deve ser assegurado. Na perspetiva tradicional do sistema elétrico, a flexibilidade provém, essencialmente, da geração, com centrais térmicas ou hidroelétricas (onde se inclui a bombagem), às quais se juntam as interligações. Porém, a acomodação de quantidades significativas de geração variável introduz desafios para o setor.
Para que se incorpore, e incremente, uma grande quantidade de geração variável, particularmente eólica e solar, afigura-se como essencial um planeamento adequado que, necessariamente, deverá incluir mecanismos de reserva de energia. Estes mecanismos, que carecem ainda de diversificação, contarão com o papel preponderante que o gás natural tem apresentado, e continuará a apresentar, durante a corrente década. A complementaridade com a geração hidroelétrica é igualmente fundamental, mas, e ao contrário do gás natural, prevê-se que esta se mantenha relevante, para a produção de energia elétrica, para lá de 2030. Todavia, o armazenamento de energia elétrica (storage) será uma figura central dos sistemas de energia, conferindo e reforçando o nível de flexibilidade, mas podendo, igualmente, contribuir para a sua resiliência.

Além disso, o incremento da flexibilidade do lado do consumo é já uma realidade incontornável. No caso de Portugal, desde 2019 que os consumidores com uma potência superior a 1 MW podem participar no mercado de Serviços Sistema, aumentando a panóplia de opções disponíveis para garantir a manutenção do equilíbrio do sistema. No futuro, com um adequado desenvolvimento da tecnologia e dos procedimentos, será possível agregar pequenos consumidores, aos quais, está atualmente vedada a participação neste tipo de serviços de flexibilidade. Antevê-se que os recursos distribuídos terão uma importância crescente no setor elétrico, providenciando uma complementaridade às formas convencionais de flexibilidade, que se observam do lado da geração.

Descarbonização, descentralização e digitalização, são conceitos que estarão no epicentro dos sistemas de energia, sendo que as comunidades energéticas terão um papel importante no desenho do sistema elétrico, permitindo aos cidadãos ter um papel ativo, tanto no consumo como na produção de energia, com consequente benefício para os intervenientes envolvidos.

Descarbonização, descentralização e digitalização, são conceitos que estarão no epicentro dos sistemas de energia, sendo que as comunidades energéticas terão um papel importante no desenho do sistema elétrico, permitindo aos cidadãos ter um papel ativo, tanto no consumo como na produção de energia, com consequente benefício para os intervenientes envolvidos

Todavia, à medida que se observam e perspetivam modificações no armazenamento de energia elétrica e na flexibilização do consumo, vai aumentando também a complexidade de todos os mecanismos associados à transição energética. Particularmente, no que respeita aos desenhos atuais dos mercados de eletricidade, nas suas mais variadas dimensões, observa-se que estes não aparentam satisfazer as necessidades e salvaguardar as idiossincrasias de todos os seus constituintes. Afigura-se, assim, a necessidade de definir novos mecanismos visando promover soluções que permitam uma efetiva aplicabilidade em todos os mercados, incluindo dos serviços sistema, no sentido de aumentar a interoperabilidade e cooperação entre os atores envolvidos, e contribuindo, assim, para uma transição energética sustentável e segura.
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