Grupo Midea SGT: XTREME SAVE ultra popança de energia
Informação profissional do setor das instalações em Portugal
“O cliente valoriza a nossa fiabilidade e qualidade de serviço”

Entrevista com Nuno Ribeiro da Silva, Diretor-Geral da Endesa Portugal

Entrevista e Fotos: Ana Clara | Jornalista e Diretora

04/02/2021

Em 2020, a Endesa atingiu o patamar dos 500 mil clientes tanto em eletricidade como no gás natural. Nesta entrevista, Nuno Ribeiro da Silva garante que não está preocupado com os números e que o objetivo passa por “crescer de forma sustentável” e “com base na confiança com o cliente”. O Diretor-Geral da Endesa Portugal fala ainda do desafio da transição energética, da descarbonização e da digitalização, desafios prementes para a mudança no setor elétrico.

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Como lidou a Endesa Portugal com a pandemia e que balanço faz de 2020 no que respeita aos efeitos económicos no mercado e no setor elétrico?

Há um impacto a nível externo, de mercado, mas também interno, no que respeita à organização. Recordo que, no meio dos impactos económicos que a pandemia tem provocado, obviamente que alguns setores, em concreto o da energia, apesar de tudo, não sofrem impactos tão brutais como outras áreas económicas. É óbvio que houve uma quebra no consumo de energia. Mas, a verdade é que, do ponto de vista da nossa presença no mercado em Portugal, o consumo no país baixou. Contudo, a Endesa aumentou o volume e a quota de mercado em 2020, quer em termos de eletricidade, quer no gás. Somos hoje o segundo maior operador em Portugal. Atingimos um marco que é relevante para nós: os 500 mil clientes (domésticos e industriais).

Em que medida é que este número é significativo para a Endesa?

É significativo porque quando se deram os primeiros passos de abertura do mercado, fomos pioneiros, recordo que aparecemos no mercado em 1995. Foi há 25 anos, quando começou a liberalização.

E tem sido uma liberalização muito difícil…

Sim, é verdade, porque infelizmente, nem sempre os Governos têm mantido coerência nas regras e no processo da liberalização, com avanços e recuos, e muitas trapalhadas pelo meio.

“Trapalhadas” compreensíveis ou nem tanto?

Muitas incompreensíveis. Dou-lhe um exemplo recente. O facto de ter sido definido por este Governo, devido à pressão de alguns partidos (da Geringonça, nomeadamente o PCP e o Bloco de Esquerda), que os consumidores domésticos podiam voltar ao mercado regulado. Para qualquer pessoa que perceba o mínimo do assunto, seria um retrocesso e mais não foi que um “convite envenenado”. Todos sabemos que, se as pessoas voltarem ao mercado regulado, vão pagar mais na fatura.

Mas essa intenção acabou por não se verificar…

Felizmente. Mas há aqui efeitos negativos à mesma, nomeadamente, a prorrogação da tarifa regulada até 2025. A maior parte das pessoas que ainda está no mercado regulado, está por inércia ou por desconhecimento. Se se mantivesse o calendário de as pessoas poderem escolher o comercializador, onde têm melhores tarifas, onde nós e outros comercializadores oferecemos tarifas abaixo da tarifa regulada, para equacionarem a sua mudança para o mercado livre, eram obrigadas a pensar no assunto e tinham alternativas, mais vantajosas. Isso é, de longe, muito melhor, do que estarem no mercado regulado. Como digo, tratou-se de um sinal envenenado.

Resiliência e crescimento corporativo

Mas qual a real importância de a Endesa ter chegado aos 500 mil clientes no ano passado?

Tivemos uma resiliência enorme, e sempre com crescimento corporativo. Houve comercializadores que cresceram, que compraram outros e até carteiras de clientes. Neste ponto, na Endesa, fizemos migalha a migalha, no rumo e na continuação em construir esta carteira de clientes.
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Tem um outro sabor, sobretudo, se pensarmos que este crescimento se deu no ano em que rebentou uma pandemia e com uma crise económica também ela sem precedentes?

Há muito mérito nosso. Por um lado, estávamos bem preparados para enfrentar esta situação quando ela surge, sobretudo ao nível do contacto com o cliente. A Endesa vem, desde há uns anos a esta parte, a dar passos sólidos na digitalização. Ter uma relação o mais transparente, facilitada e continuada com o cliente com base em suportes digitais tem sido o nosso caminho.

Foi um fator decisivo.

Sem dúvida. Começámos há mais de dez anos com a fatura digital, por exemplo, e temos todo um quadro de suporte digital e relação online com os clientes.

Quais os efeitos práticos na atual situação que vivemos?

Simples. Os comercializadores que estavam essencialmente baseados na venda direta e ‘porta-a-porta’, obviamente que com os constrangimentos atuais, sofreram muito mais na paragem nesses canais de venda do que nós que já estávamos no digital. Isso poupa-nos custos, mas permite uma relação menos arriscada em termos de qualidade. Temos de fidelizar os clientes e não frustrar as suas expectativas e temos de assegurar essa relação pela qualidade e pelo preço.

A fidelização e a digitalização que já estava em curso quando vem a pandemia, foram dois fatores decisivos para este crescimento?

Sim, a par das campanhas e ações competitivas. O grupo tem todo um quadro, não só de infraestruturas, como a Endesa Energia, que tem uma constante atividade no mercado mundial em termos de compra de gás natural e carvão (ainda), que nos permite abastecimentos a melhores preços e custos de geração de eletricidade mais baixos. E depois, com essa interface final com o cliente, suportada em meios adequados, e uma boa relação com o cliente, ajuda muito. Oferecer produtos e soluções competitivas, já consolidadas, numa altura difícil, acaba por ajudar.

A campanha robusta (nos grandes meios) da Endesa a que assistimos em 2020, sobretudo para o mercado doméstico, já estava pensada antes da pandemia ou foi uma decisão que decorreu da circunstância?

Já estava pensada, porque na realidade já tínhamos em marcha a estratégia digital há muito tempo.

O papel do regulador e tarifas 

Falando do regulador. Considera que tem estado à altura dos desafios do mercado?

O regulador, ao longo de todos estes anos, teve melhores e piores momentos. Houve momentos em que o regulador, condicionado pelo legislador em alguns momentos, e complacente com o incumbente noutras situações, permitiu que houvesse alguma situação de abuso de poder por parte do incumbente.

Hoje os consumidores estão mais protegidos?

O existir concorrência no mercado é benéfico para os consumidores. Mas as hesitações são prejudiciais. E sim, o regulador também tem a responsabilidade de ajudar os consumidores a tomarem decisões conscientes.

Falando das tarifas para 2021. A Endesa optou por não reduzir valores. Porquê essa opção?

Estamos com tarifas bastante competitivas. E onde tivermos margem para descer tarifas, preferimos fazê-lo com segurança de que o mercado efetivamente sai da volatilidade em que tem vivido. Obviamente que queremos crescer mais, mas para nós só faz sentido fazê-lo ao termos condições para poder refletir no cliente um contexto que consigamos de ganhos nos custos de geração. É expectável que venhamos a viver durante bastante tempo com este quadro de volatilidade. Basta que aconteça uma retoma da atividade económica em setores mais decisivos – grandes consumidores de energia – para que a situação mude.

É uma estratégia segura da Endesa, tendo em conta que há comercializadores a anunciar baixa de tarifas…

Sim. Não podemos comprometer-nos com preços que depois, por razões conjunturais, se alteram. Temos de ser responsáveis, honrar os nossos compromissos e criar com o consumidor uma relação de confiança. Temos de partilhar com o cliente os momentos bons do mercado e protegê-lo dos maus. O cliente valoriza a nossa fiabilidade e qualidade de serviço. Mas obviamente dá imenso valor ao preço. Contudo, dentro desta estratégia de seriedade, temos mantido competitividade. E, em 2020, dos clientes que mudaram de comercializador, fomos a empresa que mais captou a confiança desses consumidores.

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Qual é o próximo patamar estratégico em termos de crescimento de clientes, depois da meta dos 500 mil?

Não estamos preocupados com números, obviamente queremos crescer mais, mas de forma sustentável. O crescimento tem de ser feito com base na confiança com o cliente. Este é o aspeto fundamental para nós. Internamente, mais uma vez, a informatização é essencial, seja a nível do grupo Endesa ou da Enel. Neste momento, como muitos, temos muitas pessoas em teletrabalho, as coisas funcionam e a empresa não tem parado. E é uma evidência da resiliência que tivemos e uma capacidade de dar resposta sólida.

Temos de ser responsáveis, honrar os nossos compromissos e criar com o consumidor uma relação de confiança

Plano Estratégico 2021-2023

O Plano Estratégico 2021-2023 da Endesa incide na aceleração da descarbonização e transição energética, baseada no aumento das energias renováveis, hidrogénio e na digitalização da rede. Como se vai isso materializar em concreto?

Estas metas são necessárias e se calhar até insuficientes. Houve uma revisão das metas europeias no processo de descarbonização, que só obrigam a uma aceleração de toda esta mudança histórica do setor energético. Trata-se de uma alteração de todo o conceito e de toda a infraestrutura energética e que temos que alterar. Há um valor mais alto que se levanta: não podemos continuar com as emissões e continuar a agredir a atmosfera como temos feito.

Em relação à central do Pego, em Abrantes, que vai encerrar, que alternativa iremos ter e que, em termos ambientais e económicos, seja viável?

É ponto assente que a central do Pego vai fechar. Isto para o grupo Enel e Endesa não é inédito. Fechamos recentemente uma central na Colômbia e em Espanha estamos a fechar várias. E temos um modelo e equipas preparadas para mitigar o impacto económico desta mudança de tecnologia e o encerramento destas centrais. Recordo também que estamos comprometidos com uma série de objetivos das Nações Unidas. Temos, internamente, elaborado planos e ações concretas no terreno para os sítios onde estamos a desativar centrais, de mitigação, mudança e transformação das economias locais, fruto do impacto de encerramento e fazer a transição da forma mais limpa possível. O que lhe posso dizer, neste momento, é que estamos a conversar ainda com o nosso sócio da Tejo Energia para o modelo de futuro para o Pego. Temos noção que é urgente, do ponto de vista operacional e técnico, e também para o futuro das populações. Em breve haverá novidades sobre o futuro e a transição.

Mas há alguma solução em cima da mesa?

O caminho mais óbvio é optar por um mix de renováveis para poder instalar e aproveitar. Ter a possibilidade de manter alguns elementos da central que podem prestar serviços ao sistema elétrico, e é com base nisto que estamos ainda a avaliar o caminho mais racional. Queremos dar nota disto ao Governo e às autarquias e, muito em breve, iremos ter decisões sobre este dossier em concreto.

Em relação aos projetos renováveis em Portugal, quais são as metas?

As referências que apresentámos, não está propriamente especificado, mas temos 10 mil milhões na área das renováveis. Assumimos este valor como uma predisposição do grupo para responder ao desafio. Onde é que vai ser aplicado, nomeadamente entre Espanha e Portugal, depende muito da dinâmica dos mercados.

No caso do hidrogénio, é uma tecnologia que pode fazer a diferença no mix renovável?

Não se pode pôr a questão do hidrogénio verde como sendo o milagre para todo o desafio da descarbonização e transição energética, mas por outro lado, é uma tecnologia que faz sentido em determinados nichos. E que já está a mexer. Vejamos, na produção de eletricidade em Portugal, 61% é de origem renovável. Ainda não estamos sequer em 100%. E é importante perceber onde a instalação da potência renovável, em termos de combinação da disponibilidade do recurso, pode ser viável. A nossa opção é dar prioridade a acordos com indústrias que precisam de hidrogénio no processo e fazer parcerias bilaterais.

Um processo lento, portanto.

Tudo tem o seu tempo. Mas o nosso ponto de vista é que temos de estudar, trabalhar na possibilidade de montar uma unidade de eletrólise de produção de hidrogénio e entregar ao cliente. Privilegiar essa relação inclusivamente de proximidade, na pequena infraestrutura de rede, de proximidade entre um utilizador de hidrogénio e estarmos presentes na oferta dessa commodity. Outra questão é: existindo hidrogénio disponível, poder ir injetando gradualmente hidrogénio na rede de gás com os cuidados técnicos inerentes. Outra dimensão que também está na agenda é algum hidrogénio também para a mobilidade e, em particular, para equipamentos de mobilidade que não são facilmente satisfeitos com as soluções atuais no mercado. Isto é um processo gradual e só depois da maturidade é que se pode olhar para um mercado mais robusto. Porém, queremos investir no hidrogénio, sem a menor dúvida.

Infoenergia e redes inteligentes

Fale-me um pouco do serviço Infoenergia, da Endesa, que aposta na informação ao cliente/cidadão, nomeadamente em matérias de soluções de energia e que também, em termos globais, assenta neste caminho de transição energética?

Temos a noção que as utilities tradicionais não vão só viver no futuro, quer em margem, quer em termos de serviço ao cliente, a vender eletrões e moléculas de gás. Por todas as transformações que estão a ocorrer, o cidadão é chamado a ter uma atitude ativa na sua solução energética. O caso das comunidades de energia é um bom exemplo do que já temos. Hoje o consumidor é chamado a perceber o contexto em que vive e a ter ferramentas para também ele ser um agente ativo na mudança e transição energéticas. Temos que oferecer ajuda e informação ao cliente, que é também consumidor e cidadão. A Infoenergia é um serviço de consultoria energética que ajuda o cliente a poupar e a otimizar o seu consumo energético.

A mudança das redes é uma peça incontornável e crítica em todo o desafio de transição energética

Como olha para o avanço das redes inteligentes em Portugal?

É uma questão crucial. Se não temos contadores inteligentes e ferramentas, nada acontece. Não há eletrificação da mobilidade se não tivermos redes inteligentes e interativas. Portugal está atrasado na instalação de contadores inteligentes, e noutros casos, temos os contadores instalados, mas a conectividade não funciona.
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É essencial acelerar esta transição?

Sem isso não temos interação com o cliente, nem melhorias em termos da eficiência energética e na gestão de energia. Além disso, com todo o desafio da gestão centralizada, que põe muito mais problemas ao operador de rede, não temos manutenção de segurança no abastecimento e na qualidade técnica do serviço. A mudança das redes é uma peça incontornável e crítica em todo o desafio de transição energética.

Que desafios antevê para 2021 nesta conjuntura que vivemos?

Quem está direta e indiretamente nesta área, têm o desafio da vida. Tudo tem que mudar. Politicamente está assumido, a nível das instâncias internacionais, a nível da União Europeia e dos governos nacionais, que este processo de transição energética e clima é o foco, agora catalisado com a pandemia. Temos de mudar tudo, o mix de geração, a infraestrutura, o conceito, a relação entre fornecedores e consumidores. Não há possibilidade de colocar todo este conceito de transição a funcionar se não houver uma reconversão profunda do modelo e do hardware (equipamentos). Não estamos numa situação de velocidade de cruzeiro, estamos numa situação de transformação. É daqui que partimos e é aqui que se encontra o grande desafio!

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