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Novo inquérito Eurobarómetro mostra que europeus e portugueses estão preocupados em proteger o Ambiente e o Clima mas não passam à prática

Por Carmen Lima | Coordenadora do Centro de Informação de Resíduos19/03/2020
De acordo com a nova pesquisa Eurobarómetro, 94% dos cidadãos de todos os Estados-membros da União Europeia (UE) afirmaram que a proteção do Ambiente tem importância e 91% dos cidadãos inquiridos afirmaram inclusive que a mudança climática é um problema sério na UE.
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Foto: turbosquid

No entanto, apenas 24% assume mudar a forma como consome. Quando falamos em medidas para lidar com as questões ambientais as percentagens de participação na solução são baixas.

Estas conclusões não surpreendem a Quercus, uma vez que não fogem muito dos dados obtidos num inquérito realizado pela Associação em Portugal, em que 95,9% dos participantes demonstraram conhecer os problemas ambientais, mas apenas 22,6% conheciam as alternativas mais ecológicas para reduzir o consumo.

Entre as mais de 27.000 pessoas entrevistadas, verificou-se um sólido apoio a políticas destinadas à redução do lixo plástico e o lixo, em que 92% dos inquiridos mostram, por exemplo, preocupação com o impacte dos microplásticos. Outra revelação importante foi o facto de 82% dos entrevistados ter afirmado que os seus hábitos de consumo afetavam o Ambiente de forma adversa na Europa e no resto do Mundo. O que surpreende quando apenas 24% dos abordados assumiram que era importante ser fornecido mais informações sobre a recolha de resíduos ou sobre o consumo de energia, ou até mesmo encorajar as empresas a participar em atividades sustentáveis.

O Inquérito Eurobarómetro revela ainda que, embora os cidadãos desejem fazer mais para proteger o Ambiente, acreditam que a responsabilidade deve ser partilhada por grandes empresas e indústria, governos nacionais e UE, bem como pelos próprios cidadãos. Os cidadãos entrevistados mostram preocupações com as questões climáticas e com a quantidade crescente de produção de resíduos, facto sobre o qual 77% dos inquiridos afirma que separa a maioria do lixo e o encaminha para reciclagem. Estes dados não correspondem em nada com a situação portuguesa, onde apenas 16,5% do total de resíduos produzidos são encaminhados para os ecopontos.

Aliás, a Quercus já tinha verificado com o inquérito realizado por esta Associação que continuam a existir muitas dúvidas sobre que resíduos podem ser colocados no ecoponto amarelo, com 78% dos inquiridos a acreditar que pode colocar cápsulas de café e 22,5% a achar que não pode colocar pacotes de leite.

É interessante verificar que mais de oito em cada dez cidadãos entrevistados estão preocupados com o impacte dos produtos químicos presentes nos produtos do dia-a-dia, quer para a Saúde quer para o Ambiente.

Por outro lado não deixou de ser curioso verificar que apesar dos entrevistados expressarem o desejo de roupas que durem mais e sejam feitas de materiais, ou que possam ser recicladas, no momento em que lhes é perguntado se a roupa deve ser disponibilizada pelo preço mais baixo possível, independentemente do Ambiente e das condições laborais em que é produzida, 60% dos inquiridos tendem em concordar.

Muita consciência, mas um longo caminho para fazer, quer na sensibilização da população, quer na mudança de hábitos de consumo.

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