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Especialista alerta em artigo de opinião para o caso dos Açores

O caso de White Island

O Instalador16/12/2019
Por Victor-Hugo Forjaz, Catedrático de Vulcanologia
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1 - A crosta terrestre anda agitada em diversas partes do mundo - não apenas a oeste da Ilha do Faial. Neste caso evidenciamos os recentes e trágicos fenómenos de 9 de dezembro de 2019 ocorridos em White Island, na Nova Zelândia, um dos vulcões mais ativos do planeta e área de grande procura geoturística (incorretamente noticiada em jornais e tv ´s como Ilha Branca ). Afora os 6 mortos confirmados, os 30 turistas internados (alguns em graves situações ) e as dezenas de desaparecidos (que ou morreram ou sofreram graves ferimentos), a violenta erupção freática (reação água/magma ), do tipo “side blast” (impacto lateral), excedeu a rotina eruptiva, no geral caracterizada por explosões subverticais cujos “comportamentos” ou figurinos eram bem conhecidos quer dos guias das excursões quer do proprietário da pequena ilha (cerca de 1/4 do Corvo). Seguiu -se uma explosão freática vertical que alcançou os 3.800 metros.
2 - Quando a Professora Zilda França e eu lá fomos, numa missão científica, a ilha era estatal. Porém quando lá me desloquei uma segunda vez, a ilha já era privada, ou seja, tinha sido vendida a um ricaço que a alterou para lucrativo negócio, muito maior do que a pobretana subida e espezinhameto oficialmente autorizado (!!) do precioso Piquinho da Ponta do Pico. O novo proprietário já tinha construído um pontão de acostagem de embarcações dos grandes paquetes que se avizinhavam prudentemente da ilhota. A nossa embarcação era oficial pelo que acostou, não pagou soberanas taxas e colocou-se nas imediações, aguardando o regresso da equipa do Serviço Geológico de Auckland, capital da Ilha Norte da Nova Zelândia.
3 - Observámos diversas pequenas erupções freáticas, recolheram-se amostras, os peritos locais mediram temperaturas e efetuaram diversos testes geofísicos (gravimetria, sismologia de detalhe, magnetismo, geoeletricidade, etc.) e recolhemo-nos a terra mais firme da Ilha Norte. Nos escritórios tomei contacto com toda a cuidadosa metodologia dos vulcanólogos neozelandezes e impressionou-me a estreita colaboração entre a universidade e os outros 2 serviços estatais que seguiam White Island desde há muitos anos. Enfim, demostraram que, em vulcanologia, não devem existir exclusivos e que se deve alcançar a verdade ao longo de trocas de opiniões e de aplicação de diversas técnicas.

4 – Em 16 de Setembro p.p. os especialistas alertaram para sinais de incremento da explosividade de White Island bem como dos respetivos perigos. O proprietário da ilhota privada e os seus guias não seguiram os alertas pois apenas se preocupavam com os lucros dos passageiros dos vizinhos grandes navios de turismo. No recente dia 9 de dezembro, cerca de 50 pessoas, entre os 13 e os 72 anos de idade, confiantes na segurança do passeio, desembarcaram no pontão-cais e meteram-se terra adentro. Pelas 14 h11 (tempo local) desenlaçou-se o que os cientistas esperavam - uma tremenda erupção freática, resultante do contacto súbito de águas oceânicas com uma massa lávica (magmática) em ascensão. Foi um inferno - gente pelo ar, guias desorientados, cais quase destruído, embarcações tentando fugir, etc, etc. Conseguiu-se recolher 31 pessoas onde 27 exibiam queimaduras de 70% do corpo. Um segundo grupo desapareceu. A 1º Ministra da Nova Zelândia considerou o desastre como uma emocionante tragédia.

5 – Este nosso texto, porém, tem ainda outra finalidade, ou seja, sintetizar o desfecho além da procura de vivos e de mortos.
Assim, no dia seguinte ao desastre, a polícia neozelandesa decidiu apurar responsabilidades e as investigações serão em breve anunciadas. Desse modo um determinado nº de entidades será responsabilizada, desde a proteção civil Nacional à proteção civil dos municípios (mayors) e de seus planos e ensaios de emergência.
Um grande sarilho, mas também um alerta para os Açores terra vulcânica e geotérmica como a Nova Zelândia onde os Planos de Emergência, salvo os de 2 municípios de S. Miguel (Ponta Delgada e Vila Franca) constituem peças decorativas de algumas gavetas e onde a qualidade é medida pelo peso das páginas e dos mapas anexos!!
Medite-se na forma como o faz o gestor da presente crise sísmica a oeste do Faial, deixando a população desinformada e sozinha. As geotermias de S. Miguel e da Terceira são outros segredos sem acesso a peritos que os desejem (apenas manusear) com o pretexto de que se trata de empresa privada…E o geólogo diretor-técnico reside em Lisboa!!! Oremos pelo futuro.
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