A governante justificou aquela previsão com o «tempo necessário» para a produção dos componentes do cabo submarino que vai ligar o parque eólico flutuante e a rede, instalada no território daquele concelho do Alto Minho.
«Estes componentes levam algum tempo a serem produzidos. São peças de metalomecânica. Antes de um ano não teremos nenhuma novidade visível», afirmou Ana Paula Vitorino, citada pela Lusa.
Em Outubro, a Câmara de Viana do Castelo solicitou ao Governo que encete todos os procedimentos com vista ao cumprimento dos prazos previstos para a construção daquele parque eólico flutuante.
Em proposta apresentada na reunião do executivo pelo presidente, José Maria Costa, aprovada por unanimidade, a autarquia lembra que aquele projecto «foi recentemente notícia por alegadamente estar sem financiamento, tendo os accionistas do Windfloat demonstrado a sua preocupação com o deslizar dos prazos, uma vez que é necessário garantir 48 milhões de euros para financiar o cabo submarino de ligação à rede».
«Perante o risco de falhar o prazo estimado para 2019 e se perderem os fundos comunitários atribuídos em 2012 pelo Programa NER300, a Câmara Municipal de Viana do Castelo vem reforçar a importância deste projecto para o desenvolvimento económico e sustentável de Viana do Castelo», sublinha a moção.
Em causa está o projecto Windfloat Atlantic, de aproveitamento da energia das ondas, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.
«Esta nova etapa do projecto eólico Windfloat, o primeiro parque com várias turbinas, num investimento de cerca de 125 milhões de euros, deveria estar ligada e a produzir energia de fonte renovável até 2019», acrescenta a moção.
O projecto Windfloat faz parte da Estratégia Industrial para as Energias Renováveis Oceânicas, cujo objectivo principal é a «criação de um 'cluster' industrial exportador destas novas tecnologias energéticas limpas», que tem potencial para gerar «254 milhões de euros em investimento, 280 milhões de euros em valor acrescentado bruto, 119 milhões de euros na balança comercial e 1.500 novos empregos», refere o diploma.
Esta tecnologia permite a exploração do potencial eólico no mar, em profundidades superiores a 40 metros, assentando no desenvolvimento de uma plataforma flutuante semissubmersível e triangular, com origem na indústria de extracção de petróleo e de gás, onde assenta uma turbina eólica com vários megawatts (MW) de capacidade de produção.
Para a concepção e construção de um protótipo foi montada uma turbina eólica de dois MW, tendo este sido depois instalado ao largo da costa portuguesa, perto de Aguçadoura, na Póvoa do Varzim, e ligado à rede eléctrica em 2011.
Após cinco anos no mar, o WindFloat concluiu, no final do ano 2016, a fase de testes.
O projecto - o primeiro de instalação de turbinas eólicas 'offshore' em todo o mundo que não implicou a utilização de pesados sistemas de construção e montagem no mar - terá agora continuidade uns quilómetros a norte, em Viana do Castelo, onde será instalado o primeiro parque eólico 'offshore' flutuante com base nesta tecnologia.





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