Texto_João Paulo Soares [Consultor]
1. O que é um Germoplasma e principais tipos
O nosso planeta passa por infinitas mudanças, principalmente biológicas e devido a essas alterações os seres vivos são afetados diretamente e muitos deles perdem ou correm o risco de perder sua identidade genética.
Como essas identidades genéticas são mais que essenciais para o desenvolvimento das espécies e principalmente para sua identificação, entram em destaque os germoplasmas. Estes são uma espécie de identidade genética mais direta de um grupo de seres vivos e pode ser utilizada para diversas funções e por isso, a criação de bancos de germoplasma.
Um banco de germoplasma tem como função além das atividades de intercâmbio, a colheita, a avaliação, a caracterização, a conservação, a documentação e a informação de todos os recursos genéticos das espécies avaliadas, abrangendo também até as espécies autóctones e exóticas e claro, as raças de animais e variedades de plantas e micro organismos ameaçados de extinção.
Podem ser classificados em "bancos de base" ou em "bancos ativos".
Os primeiros são aqueles em que se conserva o germoplasma em câmaras frias (conservação de 1 °C até -20 °C), in vitro ou em criopreservação (conservação em azoto líquido a -196 °C), por longos prazos, podendo até mesmo ficar longe do local de trabalho do pesquisador.
São considerados "ativos" aqueles que estão próximos do pesquisador, nos quais ocorre o intercâmbio de germoplasma e plantios frequentes para caracterização, o que proporciona a conservação apenas a curto e médio prazos. Os bancos ativos de germoplasma apresentam acessos de uma ou de poucas culturas, não sendo viável o armazenamento de acessos de muitas espécies.
2. Banco de Sementes
Tradicionais, comuns, domésticas, caseiras, fruto da paixão ou regionais são sementes que não foram classificadas cientificamente, mas foram melhoradas pelas mãos de agricultores e agricultoras, durante gerações, sem passar por laboratório. Os bancos de sementes são espaços onde essas sementes podem ser preservadas e utilizadas quando for necessário.
Várias são as razões pelas quais se necessita armazenar e preservar as sementes, entre elas a principal é a diversidade de culturas, mas também pela mudança do clima, pelos desastres naturais e artificiais, as doenças e ainda a pesquisa. Cada banco de semente tem a sua forma de funcionamento que é decidido dentro da própria comunidade que o utiliza. Para a criação de um banco de sementes é necessário que a comunidade esteja disposta a cuidar da organização e manutenção da qualidade das sementes que serão armazenadas.
Além da preservação das sementes regionais há também trocas que ocorrem entres as comunidades, onde há valorização e resgate da cultura popular. As sementes convencionais são produzidas com visão na quantidade e não na qualidade, logo são menos resistentes que as sementes regionais que não são padronizadas e são mais resistentes.
A preservação das sementes não padronizadas e regionais são realmente importantes, e sublinho, para recuperação de áreas degradadas com o repovoamento de espécies nativas do nosso País, além de estimular o agricultor familiar a ser guardião das suas sementes e propágulos para cultivo e identificar e valorizar os costumes culturais e populares das comunidades, também elas envelhecidas, fruto de um "país inclinado".
Artigo publicado na edição impressa de Abril de 2018.
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