Texto_João Paulo Soares [Consultor]
Nesta questão da seca, alterações climáticas, crise ambiental, fogos florestais, furos e outros atentados ao meio aquático, estamos esquecidos e dá força a um ecossistema muito importante na regulação da água- os charcos.
Quantos de nós, eu diria da geração até aos anos 90 (antes do aparecimento dos parques urbanos, charcos privados, etc.) avistávamos a caminho da escola ou em passeios pelo país estas massas de água e eram o nosso primeiro contacto com a Natureza. Cheios de vida, plantas aquáticas, insetos, crustáceos, anelídeos, moluscos, anfíbios, répteis e aves, todos têm lugar nesta pequena Arca de Noé.
Depois a cada nova passagem, um novo coaxar, uma nova espécie de libelinha, o primeiro contacto com os ovos da rã. Uma ave nova. Um charco não é só diversão, também é conhecimento.
Cada planta e cada animal novo aguçava-nos a curiosidade, incentivava-nos a investigar. O charco não é uma entidade isolada, estática. É muito mais do que um simples aquaterrário. Interage com o meio envolvente - regatos, nascentes, tanques e outros charcos e lagos da região. O charco é parte integrante do ecossistema global, recebe, mantém, mas também dá vida.
Os charcos e lagos, especialmente nas cidades, funcionam como corredores 'azuis e verdes', disponibilizando uma vasta lista de serviços ambientais, como a purificação da água, através de processos de biorremediação (processo de recuperação ambiental através de microrganismos ou enzimas).
Essas massas de água têm igualmente influência nas alterações climáticas, uma vez que promovem o controlo de cheias - funcionando como esponjas, libertando e absorvendo a água - e na captura de dióxido de carbono, devido ao elevado número de plantas que contêm.
Para além disso, apoiam no combate às pragas - como mosquitos e pragas agrícolas -, através da presença de predadores naturais (sapos e libélulas, por exemplo), e na criação de zonas educativas e de lazer, que melhoram a qualidade de vida dos cidadãos.
A construção e a manutenção incorreta das massas de água resultam em desequilíbrios no ecossistema e em efeitos indesejados (como a má qualidade da água) para os seus proprietários, que podem ser municípios, empresas e pessoas individuais.
Portanto é conveniente recorrer a técnicos e equipas qualificadas. Por isso aconselho vivamente que, como ponto de partida, consultem a página “Charcos Com Vida”: https://www.charcoscomvida.org.
Nota:
Artigo publicado na edição impressa de Janeiro/Fevereiro de 2018.
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