João Silva, coordenador do Instituto de Formação Vulcano*
23/06/2026
Esta certificação, embora importante, peca por estar focada apenas no correto manuseamento dos fluidos, atividade que está muito longe de abranger a totalidade das necessidades de formação do setor.
Sendo o setor do AVAC tão diversificado, seria interessante debater um modelo de certificação parcelar, que os técnicos poderão acumular ao longo da sua vida profissional, de acordo com o tipo de equipamentos ou sistemas com que trabalhem.
O técnico AVAC tradicional, vocacionado para a instalação de equipamentos, já não responde inteiramente às necessidades do mercado atual, que necessita de técnicos capazes de integrar equipamentos em sistemas complexos e compreender as lógicas de controlo, com ênfase na conectividade
Hoje, exige-se um perfil multidisciplinar, com bons conhecimentos em:
Além disso, a crescente adoção de bombas de calor, sistemas híbridos e soluções integradas exige competências mais avançadas na interpretação de esquemas, parametrização, otimização de funcionamento e acompanhamento do consumidor na gestão do sistema, para melhor aproveitamento de todas as potencialidades.
O futuro da certificação AVAC deveria apontar para um modelo de aprendizagem mais rigoroso e contínuo. Algumas tendências já são evidentes:
a) Certificação contínua (upskilling obrigatório)
A rápida evolução tecnológica tornará obsoletas competências adquiridas há poucos anos. Será cada vez mais comum a exigência de:
b) Especialização por tecnologia
Em vez de certificações genéricas, o mercado evoluirá para procurar especializações, como:
c) Valorização da componente prática
A certificação tenderá a privilegiar a capacidade de execução real, com:
d) Integração com competências digitais
A digitalização do setor (monitorização remota, IoT, plataformas cloud) trará novos requisitos e desafios:
Esta evolução terá consequências significativas:
Para os técnicos:
Para as empresas:
As empresas que apostarem na qualificação técnica estarão melhor posicionadas para responder às exigências do mercado e captar projetos de maior valor acrescentado.
Para os proprietários:
A certificação está intrinsecamente ligada à qualidade da formação disponível. Além da atual certificação obrigatória de técnicos, o setor necessita de:
Instituições especializadas desempenham aqui um papel fundamental, assegurando que os técnicos não apenas obtêm certificação, mas desenvolvem efetivamente competências aplicáveis.
A certificação de técnicos AVAC está a evoluir de um mero requisito legal para um selo de competência. Num setor cada vez mais exigente, não bastará cumprir — será necessário demonstrar capacidade técnica, adaptabilidade e domínio tecnológico.
O futuro pertence aos profissionais qualificados, atualizados e especializados. A questão já não é se a certificação é necessária, mas sim até que ponto cada técnico e empresa está preparado para acompanhar esta evolução.
O Instituto de Formação Vulcano tem ao dispor do mercado um conjunto alargado e muito abrangente de formações, com uma forte componente prática, que tem ajudado muitos profissionais no seu início de carreira ou outros mais experientes a adquirir competências nas mais diversas áreas do AVAC.
Investir na formação é investir na qualidade, na eficiência e no futuro do setor AVAC.
* João Silva, coordenador do Instituto de Formação Vulcano
Licenciado em Engenharia Mecânica, com uma pós-graduação em Energias Renováveis em Edifícios.
Exerce a atividade de formador na área do AVAC, com destaque na Combustão, Bombas de Calor e Energia Solar Térmica.
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