BI348 - O Instalador

71 CERTIFICAÇÃO DE TÉCNICOS AVAC E EXIGÊNCIAS FUTURAS Para o setor, o desafio é simultaneamente tecnológico e operacional. A pressão para reduzir emissões de carbono e aumentar a eficiência energética dos edifícios está a acelerar a adoção de soluções mais sustentáveis, mas essa mudança exige técnicos preparados para trabalhar com sistemas mais complexos e sensíveis. Nuno Roque lembra que os edifícios representam atualmente 40% do consumo de energia final da União Europeia e 36% das emissões de gases com efeito de estufa, o que ajuda a perceber a centralidade do AVAC-R na estratégia europeia de descarbonização. “A transição dos fluidos frigorigéneos sinaliza um estágio para a evolução do setor e das suas aplicações tecnológicas, em que todo o setor é convocado para atualizações formativas, certificação de competências adequadas às exigências e preparação para um futuro sem gases fluorados”, afirma o responsável da APIRAC. CERTIFICAÇÃO GANHA PESO ESTRATÉGICO Neste novo contexto regulamentar, a certificação técnica está a assumir um peso crescente na organização do mercado. Mais do que um requisito administrativo, passa a funcionar como garantia de competência e segurança numa área cada vez mais especializada. A AIPOR tem vindo a reforçar a aposta no seu Organismo de Certificação de Pessoas (OCP), acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC) para a certificação de técnicos de manuseamento de gases fluorados e substâncias alternativas. Em novembro de 2025, o OCP da AIPOR tornou-se o primeiro organismo acreditado em Portugal para emitir certificados em CO2 e amoníaco, no âmbito dos novos regulamentos europeus. A entidade passou assim a disponibilizar certificação para gases fluorados, hidrocarbonetos, CO2 (dióxido carbono), NH3 (amoníaco), recuperação de gases fluorados e deteção de fugas. Para Celeste Campinho, “a certificação técnica de pessoas é crucial para atestar competências e oferecer segurança e qualidade na prestação de serviços”. Também o CENTERM - Centro Tecnológico para a Indústria Térmica, Energia e Ambiente, organismo de certificação, inspeção e auditoria da APIRAC, viu recentemente alargada pelo IPAC a acreditação para certificação em CO2, reforçando a capacidade nacional de resposta às novas exigências do mercado. Segundo Nuno Roque, “a extensão da acreditação pelo IPAC ao CENTERM constitui um marco evolutivo e de afirmação do setor numa nova era”. O responsável acrescenta que as empresas e os técnicos portugueses têm hoje acesso “ao que de mais avançado se pode encontrar na Europa e no Mundo, nos domínios da formação e da certificação profissional”. FALTA DE MÃO DE OBRA AMEAÇA ADAPTAÇÃO DO SETOR Se a exigência técnica aumenta, o setor continua a enfrentar um problema estrutural que ameaça condicionar a adaptação às novas regras: a escassez de profissionais qualificados. A preocupação é partilhada pelas associações do setor, que alertam para a dificuldade crescente em recrutar técnicos preparados para responder às novas exigências regulamentares e tecnológicas. Celeste Campinho considera que o maior alerta continua a ser “a escassez de mão de obra especializada”, defendendo um reforço da formação técnica contínua e a valorização das qualificações profissionais. Ao mesmo tempo, o setor tenta responder através de cursos técnicos com dupla certificação, permitindo aos alunos obter simultaneamente o 12.º ano e uma qualificação profissional de nível 4. A necessidade de formação contínua torna-se ainda mais evidente num contexto em que os sistemas AVAC passam a integrar soluções renováveis, equipamentos eletrificados e novas exigências de eficiência energética impostas pela Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD). Segundo a APIRAC, o sucesso da transição dependerá da capacidade de adaptação dos profissionais “em todos os patamares de desenvolvimento técnico e operacional”. Num mercado cada vez mais regulado, a diferenciação das empresas tenderá também a passar pela capacidade de garantir equipas certificadas e atualizadas. A certificação técnica começa assim a afirmar-se não apenas como obrigação legal, mas como fator de confiança, competitividade e preparação para um setor em rápida transformação. n Celeste Campinho, presidente da direção da AIPOR. Nuno Roque, diretor-geral da APIRAC.

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