72 CERTIFICAÇÃO DE TÉCNICOS AVAC E EXIGÊNCIAS FUTURAS Certificação AVAC: qualificar para competir O setor AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) atravessa uma fase de profunda transformação, impulsionada pela transição energética, pela descarbonização dos edifícios e pela crescente complexidade tecnológica dos sistemas. Neste contexto, a certificação de técnicos deixa de ser apenas um requisito legal para se afirmar como um pilar estratégico de qualidade, segurança e competitividade. O PAPEL DA CERTIFICAÇÃO NO CONTEXTO ATUAL A certificação de técnicos AVAC tem vindo a ganhar relevância nos últimos anos, sobretudo devido à crescente exigência normativa e à necessidade de garantir instalações eficientes e seguras. Em Portugal e na União Europeia, diversos regulamentos estabelecem requisitos obrigatórios para que possam manusear fluidos frigorígenos. Esta certificação, embora importante, peca por estar focada apenas no correto manuseamento dos fluidos, atividade que está muito longe de abranger a totalidade das necessidades de formação do setor. Sendo o setor do AVAC tão diversificado, seria interessante debater um modelo de certificação parcelar, que os técnicos poderão acumular ao longo da sua vida profissional, de acordo com o tipo de equipamentos ou sistemas com que trabalhem. UMA PROFISSÃO EM RÁPIDA EVOLUÇÃO O técnico AVAC tradicional, vocacionado para a instalação de equipamentos, já não responde inteiramente às necessidades do mercado atual, que necessita de técnicos capazes de integrar equipamentos em sistemas complexos e compreender as lógicas de controlo, com ênfase na conectividade Hoje, exige-se um perfil multidisciplinar, com bons conhecimentos em: • Eficiência energética; • Hidráulica avançada; • Eletricidade e eletrónica; • Controlo e automação (GTC); • Tecnologias digitais e diagnóstico remoto. Além disso, a crescente adoção de bombas de calor, sistemas híbridos e soluções integradas exige competências mais avançadas na interpretação de esquemas, parametrização, otimização de funcionamento e acompanhamento do consumidor na gestão do sistema, para melhor aproveitamento de todas as potencialidades. João Silva, coordenador do Instituto de Formação Vulcano*
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