83 ASSOCIAÇÕES No entanto, para que estas intervenções sejam eficazes e comparáveis entre si, é importante dispor de metodologias que permitam avaliar objetivamente o desempenho hídrico dos edifícios, identificar prioridades de intervenção e quantificar os benefícios obtidos. COMO MEDIR E MELHORAR? O SISTEMA AQUA+ DA ADENE É neste contexto que surge o sistema AQUA+, desenvolvido pela ADENE - Agência para a Energia, como ferramenta de avaliação e classificação da eficiência hídrica dos edifícios. Inspirado na certificação energética, o AQUA+ permite caracterizar o desempenho hídrico de um edifício através da atribuição de uma classe de eficiência, numa escala de F (menos eficiente) a A+ (mais eficiente). Além de comunicar de forma simples o nível de desempenho, o sistema constitui um instrumento de apoio à decisão, permitindo identificar oportunidades concretas de melhoria e estabelecer indicadores de desempenho comparáveis entre edifícios. A metodologia pode ser aplicada em diferentes fases do ciclo de vida do edifício, projeto, utilização e reabilitação, recorrendo a uma avaliação documental complementada por uma auditoria técnica. Esta abordagem permite analisar um conjunto de áreas representativas do consumo de água, ajustadas à complexidade infraestrutural de cada edifício, assegurando uma avaliação consistente e comparável. Mais do que atribuir uma classificação, o AQUA+ identifica medidas de melhoria capazes de aumentar o desempenho hídrico do edifício, incluindo, mas não se limitando à substituição de dispositivos por soluções mais eficientes. Atualmente, o sistema é aplicável a edifícios habitacionais e a diversas tipologias de comércio e serviços, incluindo empreendimentos Paralelamente, o crescimento da procura de água, a pressão sobre as infraestruturas urbanas e o envelhecimento de uma parte significativa do parque edificado aumentam a necessidade de adotar soluções que promovam uma utilização mais racional deste recurso. Em muitos edifícios continuam a existir dispositivos com consumos elevados e pouca sensibilização dos gestores/utilizadores para o tema. Devemos também recordar que água e energia estão intimamente ligadas. O tratamento e a distribuição de água nas cidades podem representar entre 6% a 18% da procura energética urbana, e o aquecimento de água sanitária pode pesar até 23% na fatura energética de uma habitação. Reduzir o consumo de água nas instalações sanitárias não é, por isso, apenas uma questão de poupar um recurso natural, é também uma forma direta de reduzir consumos energéticos e, consequentemente, emissões de CO2 associadas à produção, tratamento e aquecimento de água. Neste enquadramento, a adaptação às alterações climáticas passa inevitavelmente por uma utilização mais eficiente da água. Mais do que responder a períodos pontuais de escassez, importa tornar os edifícios resilientes, capazes de reduzir consumos de forma permanente e de integrar soluções que garantam uma gestão sustentável dos recursos hídricos ao longo do seu ciclo de vida. A substituição de dispositivos convencionais por equipamentos eficientes, a aplicação de redutores de caudal, o aproveitamento de origens alternativas de água, a monitorização de consumos e a formação e sensibilização dos utilizadores, constituem algumas das medidas com maior potencial de redução, beneficiando dos avanços tecnológicos que permitem poupanças significativas sem comprometer o conforto e a funcionalidade.
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