BI351 - O Instalador

82 ASSOCIAÇÕES Instalações sanitárias: um contributo importante para a eficiência hídrica dos edifícios A crescente pressão sobre os recursos hídricos e a variabilidade da sua disponibilidade colocam novos desafios ao setor da construção e da gestão do edificado. Num contexto em que episódios de escassez de água e constrangimentos no abastecimento se tornam cada vez mais frequentes em várias regiões, a eficiência hídrica assume um papel fundamental na redução dos consumos e, por consequência, na redução dos custos de exploração e da pegada ambiental dos edifícios. Viren Dhimmer, Técnico Especialista na Direção de Sustentabilidade e Mobilidade da ADENE — Agência para a Energia Neste cenário, as instalações sanitárias destacam-se como uma das áreas com maior potencial de melhoria. Concentram uma parte significativa do consumo de água dos edifícios e representam, por isso, uma das oportunidades mais diretas para implementar medidas de eficiência hídrica com impacto imediato. Nos edifícios habitacionais, cerca de dois terços do consumo total de água estão associados a utilizações realizadas nas instalações sanitárias. Entre os diferentes dispositivos, o sistema de duche constitui o principal consumidor de água, representando entre 32% e 38% do consumo doméstico. Os autoclismos surgem em seguida, com uma contribuição entre 19% e 31%, enquanto as torneiras e outros equipamentos completam a restante fatia da utilização diária. Esta distribuição evidencia algo simples. Melhorias introduzidas nos dispositivos sanitários, como a instalação de redutores de caudal, chuveiros eficientes, autoclismos de dupla descarga ou torneiras de baixo consumo, podem traduzir-se em reduções expressivas do consumo total de água de um edifício. Por exemplo, se considerarmos um chuveiro com um caudal de sete litros por minuto em detrimento de um chuveiro com um caudal de 15 litros por minuto, verifica-se uma redução de consumo de aproximadamente 53%. Assumindo uma duração média de duche de oito minutos, esta medida permite poupar, ao fim de um ano, o equivalente a 417 duches. PORQUE É URGENTE ATUAR? A necessidade de melhorar a eficiência hídrica dos edifícios torna-se ainda mais evidente à luz da realidade climática atual. Portugal encontra-se entre os países europeus mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, verificando-se uma tendência de diminuição da disponibilidade hídrica, acompanhada por uma maior frequência e intensidade de fenómenos extremos, como secas prolongadas e ondas de calor.

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