BI348 - O Instalador

Podemos valorizar a baixa intensidade carbónica do nosso sistema eletroprodutor e a própria ambição do PNEC, mas isso não invalida um desafio premente. Os instrumentos para atingir as metas estão dispersos, com pouca integração entre estratégias, regulação e financiamento. E, para quem investe, para quem forma profissionais e para quem decide instalar, essa dispersão acarreta os seus custos. Esta aceleração não pode, porém, ficar confinada à produção de eletricidade renovável. O verdadeiro desafio de 2030 está na descarbonização do consumo final. No setor residencial, a prioridade é a eletrificação do calor e o combate à pobreza energética. As bombas de calor vão ter de substituir (nos casos em que é vantajoso) as caldeiras a gás a um ritmo sem precedentes. Na indústria, o desafio tende a ser mais complexo, exigindo soluções de calor renovável e hidrogénio para processos onde a eletrificação direta ainda é insuficiente ou inviável. Já nos transportes, onde a incorporação renovável é de apenas 12% contra uma meta de 29%, a expansão da infraestrutura de carregamento terá de continuar a ganhar escala e capilaridade. Ter mercado, tecnologia e competência técnica não é suficiente se não houver uma execução consistente ao longo 81 ASSOCIAÇÕES do tempo. Cumprir as metas de 2030 exige estabilidade das regras, planeamento atempado da rede elétrica e uma boa articulação entre políticas públicas, operadores e investidores. O dinamismo que se sente no terreno precisa de um enquadramento previsível que permita transformar projetos em capacidade instalada e valor económico duradouro. O setor está, simultaneamente, a transitar da instalação básica para a gestão inteligente de energia. Soluções integradas de armazenamento e mobilidade elétrica representam o novo status quo técnico, o que coloca a formação especializada no centro de qualquer estratégia de crescimento sustentado. A janela crítica situa‑se entre 2026 e 2028, sendo que 2030 não pode ser a linha de meta, mas sim, apenas um marco intermédio numa maratona que continuará no pós‑2030. As decisões que tomarmos agora irão definir a trajetória da próxima década, em termos de competitividade, segurança de abastecimento e descarbonização. A capacidade técnica existe. O desafio é garantir que o enquadramento político e institucional acompanha essa ambição no futuro próximo. n * Paulo Castelão – FELPT Licenciado em Engenharia do Ambiente e Mestre em Energia para a Sustentabilidade, com especialização em descarbonização e sustentabilidade industrial. Paulo Castelão é engenheiro na Direção Geral de Energia e Geologia, especializado no licenciamento para a mobilidade elétrica. Paulo é também Docente de Energia, Aspetos Legais e Regulamentação na Pós-Graduação em Energias Renováveis na Universidade Europeia. Doutorando em Sistemas Sustentáveis de Energia pela FEUP desde 2023 onde desenvolve trabalho nas áreas da descarbonização, comunidades de energia, virtual power plants, tecnologia blockchain e redes distribuídas.

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