59 EDIFÍCIOS contínuas, garantindo maior eficiência operacional e resiliência Esta evolução traz, contudo, novos desafios ao nível da cibersegurança. Torna-se fundamental implementar mecanismos avançados como autenticação centralizada, monitorização contínua e deteção de ameaças suportada por inteligência artificial. Neste contexto, a segurança deixa de ser uma camada adicional e passa a constituir-se como requisito e elemento estrutural da arquitetura do sistema. RETROFIT: DO NOVO CONCEITO À NECESSIDADE URGENTE DA MUDANÇA A Inevitabilidade do Retrofit Se a inteligência Artificial define o futuro dos sistemas, é o Retrofit que define a sua relevância prática. O parque edificado global apresenta um elevado nível de envelhecimento com cerca de 35% dos edifícios na EU com mais de 50 anos(1), dos quais 75% é considerado Energeticamente Ineficiente pela Comissão Europeia, o que se traduz num impacto direto nos custos operacionais e na conformidade normativa e regulamentar. Este contexto torna o Retrofit inevitável. Contudo, o conceito de Retrofit está também a evoluir. Da habitual prática de intervenção pontual e reativa, passa-se para uma abordagem integrada e orientada para o aumento do tempo de vida útil do edifício. Esta mudança implica uma visão e intervenção estratégica alargada, onde cada intervenção contribui para um sistema coerente e sustentável a longo prazo. SACE como maestro da modernização dos edifícios No contexto do novo conceito de Retrofit, o SACE é mais do que um sistema de controlo, eleva-se à condição de maestro na modernização dos edifícios, permitindo monitorizar, analisar e otimizar continuamente o seu desempenho. Os SACE passam a fornecer avaliações globais dos edifícios, modelação digital (digital twins) e verificação de performance após cada intervenção. Esta capacidade transforma o Retrofit num processo orientado por dados e que poderá adaptar-se a normativas futuras. Para além disso, a integração com tecnologias emergentes — como bombas de calor — reforça o papel do SACE como plataforma de gestão energética integrada. Inteligência artificial e retorno cumulativo A incorporação de inteligência artificial nos processos de Retrofit permitirá alcançar ganhos que não estão circunscritos apenas à eficiência energética. Soluções para o controlo avançado de AVAC, iluminação adaptativa ou gestão dinâmica de cargas permitem reduzir custos operacionais e adiar investimentos estruturais mais pesados. Um pensamento mais estratégico aplicado na modernização dos edifícios gera retornos cumulativos ao longo do tempo, criando um efeito de alavancagem financeira que reforça a viabilidade dos projetos de modernização em diferentes fases. Custo, complexidade e decisão Apesar dos benefícios evidentes, o Retrofit continua a enfrentar barreiras relevantes, nomeadamente ao nível do investimento inicial, da complexidade técnica e da falta de dados para suportar decisões iniciais. A resposta do mercado passa por soluções cada vez mais modulares e acessíveis, como é o da plataforma OpenBlue que permite uma primeira fase de conectividade a fornecedores de energia para medição de consumos. A introdução de plataformas plug-and-play, modelos de implementação simplificados (“zero engineering”) e soluções de financiamento inovadoras estão a reduzir significativamente estas barreiras. CONCLUSÃO A análise destas duas tendências revela uma interdependência clara. A inteligência dos novos sistemas SACE só se materializa plenamente quando aplicada ao enorme universo de edifícios existentes. Por outro lado, o Retrofit ganha eficácia e escala quando suportado por intervenções estratégicas e plataformas digitais avançadas. Assim, o futuro dos edifícios não se constrói apenas com novas infraestruturas, mas também, com a implementação de Sistemas de Automação e Controlo de Edifícios que integrem Inteligência Artificial e que os tornem mais eficientes, sustentáveis e preparados para os desafios da descarbonização das próximas décadas. n
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